Mais 5 PMs presos sob acusação de tortura no PR

O Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), ligado à Promotoria de InvestigaçãoCriminal do Paraná, prendeu nesta segunda-feira mais cinco policiais militares de Mallet, a 215 quilômetros de Curitiba, no sul do Estado, sob acusação de tortura, abuso de autoridade e lesãocorporal.No dia 11, em decorrência de outra ação do Ministério Público, outros seis policiais militares tinham sido presos,acusados dos mesmos crimes.Na denúncia, a promotora Danielle Garcez da Silva cita o ex-delegado de Mallet, hoje na delegacia de Teixeira Soares, Sebastião Antônio França, por omissão em suas atribuições funcionais, mas não pede sua prisão. Ele não estava na delegacia nesta terça-feira à tarde.Também foi preso o desempregado Joraci Ribeiro,que, em pelo menos uma das ações, atuou com os policiais militares. Para garantir a segurança em Mallet, a 2ª Companhia Independente de União da Vitória enviou mais dois policiais, pois apenas um soldado não está preso.Foram presos os soldados Vanderlei Rogério Seretne, Severino Zakaliak, Albino Cieslak e Dolcimar José Stroiek e o sargento Ivanilson Antonio Trojan. A denúncia teve como base odepoimento de dez testemunhas, que narraram oito fatos ocorridos nos anos de 1997, 1999, 2000 e 2001.Num dos mais graves, dois irmãos foram abordados por policiais e pelo civil Ribeiro próximo de casa, sob alegação de que haviam dado tiros. Elesforam muito agredidos para confessar que tinham um revólver. Um deles chegou a desmaiar em razão dos espancamentos. A casa deles foi revirada, e objetos pessoais, extraviados.Sem ordem judicial nem flagrante, foram levados para a delegacia, onde um dos irmãos permaneceu com algemas durante quatro horas.Posteriormente, recebeu atestado médico para ser aposentado por invalidez. O outro foi levado para o hospital, mas o delegado não fez diligências para apurar a versão dos policiais. Os denunciados disseram que ele tinha sido atropelado por uma carroça.Ele ficou internado por três dias em estado grave. "Os denunciados agem sem qualquer razão aparente, apenas pelo prazer mórbido e fútil de infligir sofrimento físico ou mental em suasvítimas", denunciou a promotora.

Agencia Estado,

19 de novembro de 2002 | 18h51

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