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Mais 5 vítimas da chuva são achadas em Osasco e Guarulhos

Ontem foram encontrados os corpos de três crianças e de dois homens; mortes chegam a 8

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

O ajudante de coleta de lixo Nivaldo Franco de Lima e o motorista Cláudio Aparecido Bueno, ambos de 42 anos, participaram de formas distintas ontem do resgate das três crianças desaparecidas após o deslizamento de terra no Morro do Socó, em Osasco. Enquanto o primeiro ajudou com enxadas a tirar a lama do local, o outro sentou no meio da chuva e, com os olhos fixos, acompanhou a distância a operação que durou quase 28 horas. Às 15h41, no entanto, eles reagiram da mesma forma e se desesperaram quando viram os bombeiros retirarem os corpos de seus filhos, aumentando para oito os mortos na Grande São Paulo por causa das chuvas - em Guarulhos, foram registradas duas mortes ontem; em Osasco, uma na terça; e, em Itaquera, outras duas naquele mesmo dia.

A tempestade provocou o deslizamento de terra em uma encosta de 70 metros em Osasco. Toda a terra cedeu sobre cinco barracos - três deles estavam desocupados na hora. Em outro, três crianças conseguiram sair antes de a casa ser encoberta pela lama. A mesma sorte não teve Rosemeire dos Santos, de 28 anos, e três de seus quatro filhos: Mateus (8 anos, filho de Cláudio), Isaac (7, cujo pai já morreu) e Tainara (3, filha de Nivaldo). Tatiana, de 11, mora com a avó e escapou da tragédia.

O corpo da mãe foi encontrado ainda na tarde de terça-feira, por um amigo que ajudava nas buscas. "Eu escutei um estrondo e vim ajudar, porque já trabalhei com construção. Tomei um choque quando tirei um botijão e reconheci a Rose", diz Carlos Yran Alves Ferreira, de 28 anos.

Os bombeiros tiveram de reduzir as buscas pelas crianças no fim da tarde de terça-feira por causa de um novo temporal. A Defesa Civil interditou 15 barracos e as pessoas precisaram deixar suas casas, sob ameaça de ação policial - outras dez famílias tiveram as casas interditadas ontem. Moradores também relatam que Nivaldo e um amigo tentaram invadir a área com enxadas para continuar o trabalho, mas foram impedidos.

"Precisamos tirar parte do efetivo da área, pois havia a ameaça de tudo vir abaixo. Havia quase mil m³ de terra, que estava impermeabilizada e podia voltar a desmoronar", diz o comandante dos bombeiros de São Paulo, coronel Luiz Humberto Navarro. As buscas foram reforçadas por volta das 23 horas de anteontem e seguiram sem interrupção até a tarde de ontem. Um gerador elétrico iluminou o local. "A gente estava com medo e o clarão e o barulho do gerador não deixavam esquecer o que estava acontecendo", diz a moradora Clarice Pereira, de 28 anos.

As vielas estreitas e íngremes impediram o uso de equipamentos que poderiam agilizar o resgate, como retroescavadeiras. Os bombeiros usaram jatos d"água para umedecer e remover a lama e um batalhão de agentes começava a escavar a área. Participaram da operação 130 bombeiros (79 só ontem) e 21 viaturas. Também participaram cerca de 200 funcionários de apoio da prefeitura e PMs.

Muitos moradores evitavam deixar suas casas - os PMs impediam a entrada na área de risco. Os policiais se exaltaram: "Sai daí. Essa era a sua casa, não é mais. E se você não sair, sua casa vai ser no céu", gritou um sargento, respondendo a moradores que diziam que "faziam o que queriam em suas casas".

Os bombeiros desciam em grupos de 40 e trabalhavam por cerca de 50 minutos. Após um tempo de escavação, eles saíam para a entrada dos cães farejadores. Um deles era a cadela Jade, uma pastor belga de Malinois, que na tarde anterior encontrou os dois meninos que morreram soterrados na região de Itaquera, na zona leste de São Paulo.

O local ficou barulhento, por causa dos jatos d"água e de helicópteros que sobrevoavam a região. Após um grito alto dos bombeiros que removiam a lama, houve um silencio momentâneo. Pelo rádio, eles pediam para a unidade 321 suspender a saída de água das mangueiras. Sacos plásticos laminados envolveram os corpos que, um a um, foram subindo o morro em macas. Correndo atrás deles e chorando foram Nivaldo e Cláudio.

GUARULHOS

Em Guarulhos, o auxiliar de serviços gerais André Cássio da Silva, de 27 anos, morreu afogado anteontem ao cair em um galeria fluvial. Ele tentou atravessar de bicicleta a Avenida Martins Júnior, que estava alagada, e foi "sugado" por um bueiro.

A outra vítima é Francisco Sebastião da Silva, de 46 anos, encontrado em um córrego na Avenida Cumbica.

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