Mais 7 corpos em morro que deslizou, matando 32

Apenas um rapaz de 17 anos foi identificado; as outras 6 vítimas devem ser transportadas hoje, de helicóptero

Eduardo Nunomura, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2008 | 00h00

Sete corpos foram encontrados ontem no Alto do Baú, no município de Ilhota. Dessa forma, passam de cem as mortes na tragédia. O jovem Luís Paulo Hostim, de 17 anos, foi reconhecido pela família. Outras seis vítimas continuam no alto do morro, que veio abaixo com a catástrofe, e deverão ser transportadas hoje, de helicóptero. "Infelizmente, há muito mais corpos no Alto do Baú, isso é certeza", afirmou Paulo Roberto Drun, coordenador da Defesa Civil de Ilhota. Até a semana passada, quando Ilhota era só um pacato município catarinense que concentra fábricas de moda íntima e moda praia, Drun trabalhava como secretário da Câmara de Vereadores. Com a catástrofe, foi designado para assumir o posto-chave nos resgates das vítimas. Primeiramente imaginou que o drama se restringiria a uma nova enchente na região do Vale do Rio Itajaí, que tem sua história marcada por outras cheias, como as de 1983 e 1984. "Parecia ser só água. Estávamos ilhados, precisávamos de ajuda, mas tudo estava sob controle." Ao dar uma entrevista a uma rádio, Drun informou o número de seu telefone celular no ar para aqueles que quisessem doar mantimentos, água, colchões e roupas. Minutos depois, uma senhora de Blumenau ligou dizendo que recebera um telefonema de uma sobrinha, coincidentemente enfermeira do posto de saúde de Ilhota, que estava ilhada no Alto do Baú. Os detalhes foram suficientes para alarmar Drun. A vítima que pedia socorro tinha perdido dois filhos e um sobrinho. E ela dizia que havia muito mais pessoas no morro. Com os sete corpos localizados ontem, Ilhota passa a ter 32 mortes na tragédia - às 19h30, a Defesa Civil do Estado ainda não tinha atualizado esse número. É a cidade com o maior número de óbitos. E todas as vítimas eram do Alto do Baú. Os primeiros corpos começaram a ser resgatados na terça-feira, porque a prioridade inicial era apenas resgatar os sobreviventes. A destruição foi tão grande que as equipes têm tido dificuldade em retirar os cadáveres dos escombros. Máquinas que ajudariam na remoção da lama e dos entulhos não chegam ao local. Anteontem, o corpo do jovem Luís Paulo Hostim foi localizado, mas só ontem a retirada foi concluída. A família espera agora encontrar a irmã dele, Tatiana, um bebê de 1 ano e 6 meses, seu primo, João Pedro da Silva, e seu tio Nelson Galdino. "Os pais (de Luís Paulo e Tatiana) sobreviveram, mas foram hospitalizados em Blumenau. É uma tragédia sem fim para nós", lamenta Antonio Carlos Russi, outro tio dos irmãos mortos. Segundo ele, Hostim sonhava em cursar uma faculdade de administração de empresas para tocar os negócios da família, uma madeireira. RESGATEDesde o início das operações de socorro, os sobrevôos das equipes de resgate têm sido constantes nos morros Alto Braço, Braço do Baú, Alto do Baú, Baú Seco e Morro Seco. E ainda há pessoas que se recusam a abandonar o local. Em Ilhota, há 1.300 desabrigados e 2.600 desalojados.

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