Mais 9 presos no escândalo da Assembleia do PR

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu ontem o ex-diretor administrativo da Assembleia Legislativa do Paraná, José Ary Nassif, o diretor da gráfica da Casa, Luis Carlos Monteiro, e mais sete pessoas em Curitiba (PR), durante a Operação Ectoplasma 2, que investiga escândalos administrativos da Assembleia.

Julio Cesar Lima, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2010 | 00h00

Parte do grupo integrado pelo ex-diretor-geral da Casa Abib Miguel está foragido. Miguel é acusado de formação de quadrilha, peculato e desvio de recursos públicos, que podem chegar a R$ 40 milhões.

O vazamento de informações, horas antes do início da operação, impediu a execução de 15 pedidos de prisões e 25 mandados de busca e apreensão expedidos pelo juiz Aldemar Sternadt, da Vara de Inquéritos Criminais.

As ações foram realizadas em Curitiba e Faxinal, no Paraná, e São João D´Aliança, em Goiás, onde Abib Miguel mantém uma fazenda, avaliada em R$ 23 milhões.

Em entrevista, o procurador Leonir Batisti, coordenador do Gaeco no Paraná, declarou que continuará o trabalho até que tudo seja cumprido. "Vamos persistir para que todos os pedidos sejam executados", afirmou. "Além disso, vamos procurar descobrir de que forma essa operação vazou, pois prejudicou algumas prisões."

Colaboração. O diretor da gráfica Luis Carlos Monteiro poderia ser solto ainda ontem, depois de prestar depoimento - como ocorreu com outros três suspeitos que foram liberados durante a tarde. "Ele (Monteiro) tem colaborado e explicou como funcionava o trabalho nas edições do Diário Oficial da Assembleia", contou Batisti. "Não sabemos ainda se ação da gráfica era dolosa ou não, mas entendemos o mecanismo, como funcionava o sistema com as datas retroativas."

Esses "diários secretos" eram produzidos para dar um formato oficial a nomeações de funcionários fantasmas e outras formas de desvio de recursos sob investigação do Gaeco.

O ex-diretor administrativo José Ary Nassif foi encaminhado para Quartel General da Polícia Militar em Curitiba, onde está detido também Abib Miguel, que já teve seus bens bloquedos por decisão da Justiça.

O Ministério Público pediu o afastamento do atual diretor de Recursos Humanos da Assembleia, Antônio Carlos Gulbino, que estaria dificultando o acesso à documentação da Casa. Por esse motivo, o ex-diretor Claudio Marques da Silva já havia sido detido no final de abril.

Ontem, o Gaeco também foi à Assembleia e chegou a solicitar um caminhão para a retirada de documentos e computadores. Em nota, a Casa criticou a "invasão" de suas dependências. "Os excessos cometidos colocam em risco a democracia, as instituções legalmente constituídas e o Estado de Direito", diz a nota.

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