SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Mais da metade dos pacientes precisa sair de suas cidades para fazer exames no Brasil

De acordo com pesquisa do IBGE divulgada nesta quarta-feira no Rio de Janeiro, 59,9% têm de se deslocar para se internar

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2015 | 10h00

Atualizada às 21h16

RIO -  Mais da metade dos municípios brasileiros (2.902 de 5.570, ou 52%) encaminha pacientes da atenção básica para realizar exames em outra cidade por falta de infraestrutura em suas unidades de saúde, revela o Perfil dos Estados e dos Municípios Brasileiros, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento mostrou que em 60% dos municípios os pacientes têm de se internar fora. A prática é mais comum em localidades de até 50 mil habitantes, onde os estabelecimentos costumam ser precários, e nas Regiões Sudeste e Nordeste.

Outra deficiência apontada pela pesquisa é a falta de atendimento de emergência 24 horas. São 12,9% os municípios que não dispõem desse tipo de serviço – a carência maior está no Nordeste; o Centro-Oeste é a região mais bem provida. É baixíssima a oferta de leitos de UTI neonatal: 93,4% das cidades não têm essas acomodações tanto em estabelecimento público como em convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). 

“Infelizmente o SUS não foi efetivado como deveria. O acesso à emergência tem de ser fácil, mesmo que em outro município. Quanto à internação, não faz sentido morar no Maranhão e se internar no Piauí. E, no caso de exames, a coleta e a entrega dos resultados deveriam ser no próprio município, ainda que a análise seja em outro. Não é possível que o cidadão não possa fazer um exame de sangue ou um raio X perto de casa”, criticou a professora Ligia Bahia, do Instituto de Estudos da Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A falta de equipamento para hemodiálise para pacientes com problemas renais também foi medida. Apenas 484 municípios têm o aparelho no País. No Acre existe uma única máquina, assim como em Roraima. “No Hospital das Clínicas de Rio Branco são 270 pacientes renais fazendo diálise, que vêm de todo o Estado e ainda do Amazonas e da Bolívia”, disse Berenice Sales, presidente da Associação dos Pacientes Renais Transplantados do Acre. “Tenho de chegar às 4h30 para ser atendida. Há óbitos o tempo todo.” 

Em metade do País não há estabelecimento que realize parto hospitalar. A pesquisa foi feita entre julho de 2014 e março de 2015 nas 27 unidades da federação e em todos os municípios. Os questionários foram respondidos por funcionários dos governos estaduais e municipais. Além da saúde, a publicação traz dados sobre funcionalismo, comunicação e informática, educação, direitos humanos, segurança pública, segurança alimentar, inclusão produtiva e vigilância sanitária. 

A alimentação da população vem merecendo políticas específicas dos governos de todas as Unidades da Federação e de 39,6% das prefeituras; no Nordeste, a publicação destacou as ações de implementação de cisternas para prover os habitantes de água, verificadas em 54,2% dos municípios. 

Servidores. Em relação a programas de inclusão produtiva, como o oferecimento de cursos de capacitação, 98,7% das cidades declararam oferecê-los. Naquelas com mais de 500 mil habitantes, o porcentual chegou a 100%, sendo o Sul a região com maior oferta.

O IBGE também pesquisou o montante de servidores públicos municipais e estaduais: o número manteve-se estável em 2014: 6,5 milhões e 3,2 milhões, respectivamente, na comparação com 2012. Os empregados na área da saúde somam 1,6 milhão. De todos os profissionais do setor vinculados aos municípios, 11% são médicos.

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