Mais da metade tem no máximo quatro anos de estudo

Segundo Ipea, quase um quinto dos beneficiários do Bolsa Família em idade de trabalhar não completou sequer um ano na escola

, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

Ponto pacífico na lista de causas dos problemas de acesso ao mercado de trabalho, a baixa escolaridade dos beneficiários do Bolsa Família teve a dimensão medida em cruzamento de dados feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Pouco mais da metade (52,7%) dos beneficiários do programa em idade de trabalhar tem no máximo quatro anos de estudo. Parte desse universo - quase um a cada cinco beneficiários - não chegou a completar um ano de estudo.

"Com relação ao grau de instrução, quando o indivíduo tem formação de nível superior, suas taxas de desligamento do emprego são 20% menores se comparadas às de indivíduos analfabetos", apurou Alexandre Leichsenring no estudo do Ministério de Desenvolvimento Social sobre a participação dos beneficiários do Bolsa Família no mercado formal de trabalho.

Pessoas com 15 ou mais anos de estudo são raridade no Bolsa Família: 0,2%, segundo o Ipea. Mas uma fatia maior -10,6% - registra 11 anos de estudo. Esse perfil educacional heterogêneo sugere que as estratégias de inclusão no mercado de trabalho terão de ser variadas, adaptadas a públicos diferentes e, sobretudo, a realidades econômicas diferentes, como grandes regiões metropolitanas e a zona rural do Nordeste.

Receitas. Estudo do Ipea intitulado Desafios para a inclusão produtiva das famílias vulneráveis reforça a tese de que não há uma receita única a ser seguida e indica que os jovens entre 16 e 29 anos são mais numerosos entre os pobres desempregados ou que têm ocupação marginal no mercado de trabalho.

O trabalho, também publicado no livro Bolsa Família, 2003-2010, avanços e desafios, chama a atenção para a grande quantidade de famílias formadas por mães e filhos menores de cinco anos, para as quais a entrada do único parente adulto no mercado de trabalho não parece ser a solução para a pobreza.

"São mães que, caso queiram disputar postos no mercado de trabalho, precisam encontrar com quem deixar seus filhos", alerta Jorge Abrahão, diretor de estudos e pesquisas sociais do Ipea. As famílias monoparentais somam 1,5 milhão entre as 16 milhões de famílias alistadas no Cadastro Único.

"Não é possível achar que todos os beneficiários estão fora do mercado formal do trabalho nem que todos poderão buscar renda no mercado de trabalho. Não se pode esperar que o mercado vá resolver tudo", sustenta Abrahão.

O estudo sugere que a agenda da inclusão produtiva se paute por uma combinação de políticas de maior acesso ao crédito, qualificação profissional e de educação de jovens e adultos, além da busca de maior formalização do mercado de trabalho.

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