WALTER PAPARAZZO
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Quadrilha ataca presídio de segurança máxima e 92 escapam na Paraíba

Bandidos invadiram a prisão com metralhadoras ponto 40, ponto 50 e fuzis 762, além de pistolas 9 milímetros; segundo informações da Administração Penitenciária do Estado, 49 fugitivos já foram recapturados

Jéssica Otoboni e Raniery Soares (especial para O Estado), O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2018 | 07h26
Atualizado 10 Setembro 2018 | 21h35

JOÃO PESSOA - O que seria uma ação para dar fuga a um pequeno grupo de presos acabou elevando para 92 o número de fugitivos da penitenciária de segurança máxima Romeu Gonçalves Abrantes, o PB1, localizada em João Pessoa (PB). A informação foi divulgada pela Polícia Militar, durante uma coletiva realizada na manhã desta segunda-feira, 10.

Até as 11h32, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que 41 detentos já haviam sido recapturados, após ações na Paraíba e nas divisas com Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O secretário do órgão, tenente-coronel Sérgio Fonseca, afirmou que os bandidos invadiram a prisão com metralhadoras ponto 40, ponto 50 e fuzis 762, além de pistolas 9 milímetros. Pela manhã, o órgão havia divulgado que 105 presos fugiram, mas depois de uma recontagem, o número foi corrigido para 92.

A quadrilha tinha como objetivo libertar quatro homens que foram presos no mês passado, suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em roubos a bancos e carros-fortes. Eles foram presos em Lucena, na Região Metropolitana de João Pessoa, após atacarem uma equipe que fazia transporte de valores na BR-230, próximo a cidade de Cruz do Espírito Santo (PB).  

Um deles é Romário Gomes Silveira, o Romarinho, que segundo o secretário, foi o primeiro a ser libertado e se juntar aos bandidos que invadiram a prisão. "Romarinho foi o primeiro a sair da cela. Ele recebeu um fuzil AK47 e a partir daquele momento, ele comandou a ação. Claramente a ação foi direcionada a esse grupo. Esse elemento foi preso duas vezes e será novamente", afirmou Sérgio Fonseca.  

Em agosto, quando os quatro suspeitos foram presos, a delegada da Polícia Civil da Paraíba, Karine Torres disse que uma das linhas de investigação era de que a quadrilha teria ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo ela, pela investigação, existem muitas semelhanças dos suspeitos com as atividades da facção criminosa paulista, como a complexidade da estrutura e o histórico de crimes já praticados.

"Essa importação de armas tão novas e atualizadas, o fuzil desviado do Exército Argentino e a própria capitalização, através de roubos a bancos e carros-fortes, são muito parecidos com as ações do PCC", disse a delegada.

Outra informação divulgada pelo secretário foi que no momento da ação havia apenas 17 agentes penitenciários e dois policiais militares de plantão. Para o presidente do Sindicato dos Servidores da Secretaria da Administração Penitenciária da Paraíba (Sindseap-PB), Manuel Leite, o número mínimo seria de 60 profissionais. A entidade divulgou que hoje o quadro do Estado é de 1,7 mil agentes, o que é insuficiente, já que segundo o Sindicato, o déficit de aproximadamente 2,3 mil. 

"Na Paraíba não temos nenhuma penitenciária de segurança máxima. O PB1, por exemplo, leva o título, mas não tem a menor estrutura para isso", afirmou o presidente, ainda acrescentando que em alguns casos como o da penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega (Presídio do Róger), que tem uma população carcerária de 4 mil presos e só conta com dois agentes em cada plantão. 

Tenente da PM é morto durante fuga

Durante a coletiva, os membros da segurança pública da Paraíba receberam a informação de que o tenente da Polícia Militar Erivaldo Silva Moneta, de 33 anos, morreu no fim da manhã desta segunda-feira, 10. Ele estava na Academia da Polícia Civil, que fica em Jacarapé (mesmo bairro do presídio) e foi baleado na cabeça durante a fuga dos bandidos. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa. 

Universidade Federal e escolas suspendem aulas

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a secretaria de educação de João Pessoa informaram que as aulas desta segunda-feira foram suspensas. O Centro de Tecnologia e Desenvolvimento Regional (CTDR) da Universidade fica próximo a uma área de mata e por isso, a instituição preferiu cancelar as aulas. A Prefeitura de João Pessoa também fechou algumas escolas que ficam em bairros vizinhos ao presídio PB1.

 

O secretário de Estado da Administração Penitenciária, o tenente-coronel Sérgio Fonseca de Souza, informou que um inquérito policial já foi instaurado para apurar o caso.

Em junho, foi descoberto um esquema no qual os chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) planejaram um resgate de dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, presídio de segurança máxima que fica no interior de São Paulo. O plano previa o uso de um caminhão blindado para derrubar o muro da unidade e libertar seis integrantes da cúpula da facção.

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