Mais de 390 mil são afetados por chuvas no Nordeste

Entre eles, 33 mortes diretamente relacionadas com enchentes, 37.385 mil desalojados e 77.580 mil desabrigados

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo,

08 Abril 2008 | 21h09

Mais de 390 mil pessoas, quase a população de uma cidade do porte de Santos, no litoral paulista, já foram afetadas pelas chuvas constantes no Nordeste brasileiro. Entre elas, 33 mortes diretamente relacionadas com enchentes, 37.385 mil desalojados e 77.580 mil desabrigados. Os números divulgados pela Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) nesta terça-feira, 8.   Segundo a meteorologista-chefe do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na Bahia, Cláudia Valéria Silva, as chuvas nesta época são comuns na região. "Em geral, o período de chuvas no Nordeste vai de março a julho", explica. "O que acontece este ano é que as chuvas estão mais fortes do que na média histórica nas áreas mais ao norte da região. Na Bahia, por exemplo, que fica no sul do Nordeste, a precipitação deve se manter dentro das médias históricas."   De acordo com ela, ainda não é possível precisar se as chuvas vão continuar tão intensas até o fim do que os nordestinos chamam de "inverno" - a estação das chuvas. Mas enquanto Bahia, Alagoas e Sergipe enfrentam os problemas registrados anualmente no período de chuvas, como pequenos deslizamentos de terras e pontos isolados de alagamentos e transbordamentos de rios, os demais Estados da região contabilizam grandes prejuízos.   Só na Paraíba, 26 pessoas morreram por causa das inundações. Outras mortes ocorreram no Maranhão (quatro), em Pernambuco (duas) e no Ceará (uma). A contabilidade não engloba, porém, outras mortes derivadas das chuvas, mas não diretamente relacionadas a ela. Há uma semana, por exemplo, um jovem de 19 anos morreu depois de ser arrastado por um rio que transbordou, no sudoeste baiano, após perder o controle da motocicleta que pilotava.   No total, segundo o Sedec, 227 municípios de seis Estados nordestinos estão sofrendo grandes prejuízos por causa das chuvas. São 73 na Paraíba, 35 no Piauí e no Rio Grande do Norte, 31 em Pernambuco, 29 no Maranhão e 24 no Ceará. Por causa dos problemas, o governo potiguar decretou estado de calamidade pública em 33 cidades. No Maranhão, segundo o governo do Estado, os desalojados e desabrigados passam dos 33 mil.   Além disso, o excesso de pontos de alagamento em municípios atingidos por chuvas acarreta no crescimento de doenças diversas. Em Salvador (BA), cidade que sofreu com fortes chuvas no fim de fevereiro e no começo de março, já foram registrados 23 casos de leptospirose este ano. No mesmo período de 2007, foram 13 os registros. As secretarias estaduais de saúde temem que, além desta doença, outras, como a dengue, tenham crescimento ainda mais favorecido pelo acúmulo de água.

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