Fred Loureiro/Divulgação
Fred Loureiro/Divulgação

Vila Velha decreta emergência após queda de pedra: desalojados chegam a 733

Moradores deixaram suas casas depois que uma pedra rolou do Morro da Boa Vista; chuva aumenta risco de novo deslizamento

Vinícius Rangel, Especial para o Estado de S. Paulo

02 Janeiro 2016 | 11h21

Atualizado às 16h44

VITÓRIA - Sobe para 733 o número de desalojados pela queda de uma enorme pedra do alto do Morro da Boa Vista, no final da tarde de sexta-feira, dia 1°, no bairro São Torquato, Vila Velha, na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo.  O prefeito da cidade, Rodney Miranda (DEM), decretou na tarde deste sábado, 2, situação de emergência em toda a região.

Com cerca de três mil toneladas, segundo cálculo do Corpo de Bombeiros, a rocha rolou por volta das 18h40. Quatro casas foram atingidas e cinco pessoas encaminhadas a hospitais da Grande Vitória, sem gravidade. Outras dez vítimas foram levadas por populares a Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da região e passam bem.  Por enquanto, não há notícias de mortos, mas a Prefeitura de Vila Velha e o Corpo de Bombeiros não descartam a possibilidade de haver vítimas em meio aos escombros. 

Miranda resolveu decretar estado de emergência para agilizar os trabalhos de contenção e prevenção no bairro afetado. Há carros de som avisando a população que, caso a previsão de chuva se confirme amanhã, os moradores deverão sair de suas casas e procurar os abrigos da cidade. 

"A Defesa Civil esteve no local e estamos planejando fazer uma barreira de contenção para que a pedra não desça mais. Do alto do morro existem outras pedras que podem cair, por isso queremos começar a contenção no máximo até a segunda-feira. Outras pessoas serão retiradas da área, o número de desalojados pode passar de mil, mas vamos dar assistência a todos”, disse o prefeito.

Segundo Miranda, a pedra gigante que rolou do morro está escorada em outra menor, mas em local muito crítico, com muitas casas em volta. Por causa do risco, a prefeitura determinou o isolamento de uma área de 80 metros ao redor da pedra. "Ainda não sabemos o que realmente aconteceu para que essa pedra caísse lá de cima. Estamos concentrados em evitar que ela continue descendo. Sobrevoamos a área e um drone está sendo usado para ajudar a planejar o que vamos fazer", disse.

Bombas e tráfico. Moradores relataram à reportagem que ouviram barulho de explosões no alto do morro antes da queda da pedra. “Meu filho mais velho ouviu um barulho de explosão antes do incidente. Achamos que era rojão. Ignoramos porque como era dia 1º achávamos que era ainda comemoração do Ano-Novo. Minutos depois aconteceu a tragédia”, contou uma moradora de 38 anos, que preferiu não ser identificada.

O clima no bairro São Torquato é de medo e insegurança entre os moradores. Ontem à noite a informação que circulava no bairro seria de que a queda da pedra poderia ter ligação com a briga de traficantes de gangues rivais, disputando espaço pela venda de drogas na região, já que o local enfrenta o combate a entorpecentes há algum tempo. 

A informação chegou para o prefeito da cidade que disse que tudo será investigado. “Nós recebemos essas informação de que seria briga entre traficantes daqui, mas não podemos afirmar que seja isso. Nós vamos apurar todas as informações. Até mesmo eu ouvi uma explosão quando cheguei ao local, mas não sabemos o que é. Pode ser uma brincadeira de muito mal-gosto de estourar bombas. Ainda não podemos afirmar a causa do incidente”, completou Miranda.


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