Mais dois corpos são resgatados em lago de Brasília; vítimas chegam a 4

Mais dois corpos são resgatados em lago de Brasília; vítimas chegam a 4

Naufrágio aconteceu no domingo, no Lago Paranoá; 93 pessoas foram resgatadas com vida

Marcela Gonsalves e Vannildo Mendes, Estadão.com.br

23 de maio de 2011 | 18h56

BRASÍLIA - Os bombeiros localizaram no fim da tarde desta segunda-feira, 23, mais duas vítimas do naufrágio no Lago Paranoá, em Brasília. Por volta das 18h foi encontrado o corpo de um adulto e, cerca de 20 minutos depois, o de uma criança. Com isso, o total de vítimas chega a 4 - entre elas, um bebê de sete meses. Outras 93 pessoas foram resgatadas com vida, enquanto pelo menos 5 estão desaparecidas. 

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O acidente ocorreu no domingo, por volta das 20h30. A embarcação "Imagination" foi usada para uma festa de confraternização de uma empresa. O navio afundou em minutos, duas horas após sair do embarcadouro do clube Cota Mil. Poucos conseguiram pegar o colete salva vidas antes de cair na água. Acionado pela Capitania dos Portos às 20h52, o socorro do Corpo de Bombeiros levou cerca de 20 minutos para chegar ao local.

 

A tragédia não foi maior porque algumas embarcações que transitavam por perto chegaram rápido e ajudaram os passageiros, começando pelos mais fracos, os que nadavam mal e os que estavam em pânico. O bebê João Antônio Fernandes ainda tinha alguns sinais vitais funcionando, mas não resistiu e morreu antes de chegar ao hospital.

 

A mãe dele, Valdelice Fernandes, de 34 anos, é uma das desaparecidas e, segundo sobreviventes, teria sumido nas águas enquanto tentava salvar o filho. Ambos estavam sem colete. A major Vanessa Signale, que coordena as ações do Corpo de Bombeiros em terra, informou que foram feitas várias tentativas de ressuscitação da criança, mas sem êxito.

 

Em nota divulgada hoje, a Marinha informou que o barco tinha capacidade para transportar até 90 pessoas e dois tripulantes. No momento do acidente, porém, havia pelo menos 101 pessoas na embarcação. A Marinha disse ainda que o "Imagination" havia passado por vistoria em novembro de 2010 e não apresentou irregularidades.  

 

Investigação. O barco estava com o tubulão (tubo de flutuação) rachado. Os tubulões são grandes tubos vedados, com ar dentro, fixados sob o casco deste tipo de embarcação para dar flutuabilidade. Quando o tubo racha, a água entra e o barco desequilibra, segundo explicou o comandante Rogério Leite, chefe da Delegacia Fluvial de Brasília. Ele apura a informação - até agora não confirmada - de que uma lancha com um passageiro retardatário bateu no casco do "Imagination" quando se aproximou para embarcá-lo.

 

Sobreviventes relataram que todos correram para o lado da batida, concentrando o peso numa parte do navio. É possível que tenha sido justamente o lado com o tubulão rachado.

 

A Marinha abriu inquérito administrativo e tem 90 dias para concluir o relatório final com as causas do acidente. Dois peritos em acidentes navais virão nesta terça-feira do Rio de Janeiro para ajudar nas investigações. Já a Polícia Civil abriu inquérito criminal para levantar as responsabilidades pela tragédia e deve indiciar o piloto por crime culposo, sem dolo. Ele foi submetido ao teste de bafômetro, que deu negativo.

 

Um grupo de 30 mergulhares e 56 pessoas, incluindo paramédicos, dá suporte às buscas, com uso de seis lanchas, um barco de apoio e dois helicópteros. Os bombeiros filmaram a posição do barco, que está embicado a 17 metros de profundidade, para um estudo detalhado de sua posição e resgate de corpos que possam ter ficado dentro. Depois que todos os corpos forem localizados, será feito o içamento da embarcação.

 

O delegado Adval Cardoso de Matos, da 10ª DP, encarregado do inquérito criminal, informou que havia 110 coletes salva-vidas e os passageiros receberam instruções de uso e dos procedimentos em caso de emergência. O comandante Leite confirmou que esse é o procedimento correto e que não é obrigatório o uso do colete o tempo todo. "Mas em caso de crianças e pessoas que não sabem nadar, manda o bom senso que estejam sempre de colete", ressaltou.

 

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