Mais duas procurações são investigadas

A corregedoria da Receita informou à Polícia Federal que identificou outras duas procurações apresentadas pelo contador Antônio Carlos Atella Ferreira em 29 de setembro do ano passado na delegacia do Fisco em Santo André. Os documentos estão em nome de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e de um empresário. A PF investiga se os pedidos de acesso a dados fiscais deles são legítimos ou foram forjados, a exemplo do que ocorreu com Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, filha e genro do candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

Bruno Tavares, Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

Atella disse inicialmente que recebeu do office boy Ademir Estavam Cabral um lote de 18 pedidos de cópias de declarações de renda, no qual estariam os nomes do casal. Confrontado pelo delegado Hugo Uruguai, que conduz o inquérito policial sobre a violação de sigilo na Receita, Atella reviu sua versão.

Afirmou que Cabral lhe repassou diversas procurações, mas apenas quatro foram protocoladas na delegacia da Receita em Santo André. Cabral nega ter falsificado os documentos e também rechaça a suspeita de que os pedidos de declarações de renda de Verônica e Alexandre tenham passado por suas mãos.

A PF pediu e a 12.ª Vara Federal Criminal de Brasília já autorizou a quebra de sigilo telefônico de Atella e Cabral. O delegado espera que as operadoras encaminhem as cópias dos registros de chamadas efetuadas e recebidas por eles para tentar identificar eventuais mentores do pedido de quebra de sigilo de Verônica e Alexandre.

Outra frente de investigação é o exame grafotécnico, que será realizado pelo Instituto Nacional de Criminalística. Peritos vão esmiuçar as particularidades das assinaturas estampadas nas procurações em nome de Verônica e Alexandre e confrontá-las com a caligrafia dos principais personagens do escândalo. Se ficar comprovado que elas não são da filha e do genro de Serra, a PF conseguirá estabelecer a materialidade do crime de falsificação de documento.

A perícia da PF já concluiu que um leigo não teria como identificar a fraude nas procurações atribuídas a Verônica e Alexandre. Na avaliação dos federais, isso pode afastar a responsabilidade de Lúcia de Fátima Milan, analista tributária da Receita em Santo André. Foi ela quem recebeu os documentos das mãos de Atella e imprimiu cópia das declarações do casal.

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