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Mais navios chegam à area dos destroços para reforçar buscas

Desde cedo, três navios estão no local para encontrar destroços do Airbus localizados por aviões da FAB

03 de junho de 2009 | 16h55

Mais quatro embarcações estão previstas para chegar ao local onde foram vistos os destroços do Airbus da Air France por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) entre hoje e domingo. Desde a manhã desta quarta-feira, 3, três navios - o Grajaú, um de bandeira holandesa e outro francesa -,estão na região que fica a cerca de 650 quilômetros de Fernando Noronha mas ainda não acharam nada, segundo resultado parcial das buscas divulgado pela Marinha do Brasil esta tarde. As buscas se concentram numa área circular com raio de 120 milhas náuticas. 

 

Também nesta quarta, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que achou  às 3h48 da manhã mais quatro novos pontos de destroços do Airbus que desapareceu com 228 a bordo. Os novos pontos foram vistos a 90 quilômetros ao sul dos primeiros vestígios. Foram encontrados vários objetos espalhados num raio de cinco quilômetros, uma peça que teria em torno de sete metros de diâmetro, dez pequenos objetos metálicos e uma mancha de óleo com cerca de 20 quilômetros.  

 

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O Grajaú chegou na manhã desta quarta-feira, 3, ao ponto do Oceano Atlântico onde foram localizadas partes do avião francês - a cerca de 1.100 km na direção nordeste de Natal, no Rio Grande do Norte. Segundo a Marinha, a visibilidade na região é regular e há chuvas esparsas.

 

A corveta Caboclo partiu de Maceió, em Alagoas, às 10 horas de segunda, 1º, e também já chegou ao local. O navio, além de ajudar na operação para encontrar os destroços, reabastecerá o Grajaú. A fragata Constituição, que transporta uma aeronave Lynx, saiu de Salvador, na Bahia, às 15 horas de segunda, e a previsão é que esteja na área de buscas até as 6 horas da manhã de quinta.

 

Uma das primeiras imagens das buscas (foto: Divulgação/FAB)

 

A fragata Bosísio e o navio-tanque Gastão Motta deixaram o Rio na terça, 2. A previsão é que se juntem aos demais navios no sábado, 6, e no domingo, 7, respectivamente. Um terceiro navio mercante, também de bandeira holandesa, recebeu autorização para deixar a área de busca às 11 horas desta quarta por falta de combustível.

 

Segundo o coronel da Aeronáutica Jorge Amaral, da FAB, cinco aeronaves decolaram na madrugada da Base Aérea de Natal para a área onde os destroços foram encontrados. Ao todo, 11 aeronaves estão mobilizadas tanto em Natal quanto Fernando de Noronha.

 

Em rápida conversa com a imprensa, Amaral negou rumores de que já teriam sido identificados corpos na região. Ele disse, também que a Aeronáutica não tem como afirmar nada a respeito de alterações no plano de voo do avião da Air France, como foi chegou a ser divulgado hoje por um jornal "Ainda não temos como afirmar nada com relação a alteração do plano de voo do avião", disse o coronel.

 

Em entrevista coletiva nesta terça-feira, o representante do Escritório de Investigações de Acidentes da Aviação Civil da França (BEA), Paul Louis Arslanian, afirmou que a França, que conduzirá as investigações sobre as causas da queda, "não está muito otimista" sobre a possibilidade de encontrar as caixas-pretas. O porta-voz afirmou que no final de junho tentarão publicar um primeiro relatório sobre o acidente.

 

As caixas pretas são dispositivos que guardam informações sobre o voo e sobre a comunicação entre os pilotos e são usadas para ajudar nas investigações sobre acidentes. O resgate das duas caixas pretas do avião da Air France pode ser dificultado pela profundidade do mar no local da queda, que poderia chegar a 4 mil metros. Mesmo submersas, as caixas pretas emitiriam um sinal que ajudaria em sua localização, mas apenas durante um período de 30 dias.

 

Local das buscas

 

De acordo com o ministro Jobim, o primeiro contato visual de destroços foi feito por um avião da Força Aérea Brasileira dotado de sensores (R-99), que detectou restos do avião por volta da 1 hora de terça-feira. Às 5h37, outra aeronave da FAB, um Hércules C-130, visualizou manchas de óleo. Às 6h49, foi identificada uma poltrona de avião. Por último, às 12h30, o C-130 detectou um rastro de vestígios. "Cinco quilômetros de materiais não é de se supor que a maré tenha reunido. A existência da poltrona, do óleo, a identificação do R-99 e agora, complementando, os cinco quilômetros (de destroços), nos permite ter uma posição de que isso é do Airbus da Air France", lamentou.

 

De acordo com Jobim, não foram visualizados corpos. Jobim ressaltou que as buscas prosseguem numa área de 9.785 km², mas evitou falar em eventuais sobreviventes. "Não trabalho com hipóteses, mas com resultados empíricos", afirmou. Entre os vestígios observados, havia um bote salva-vidas aberto. "Por isso não podemos descartar essa possibilidade (de encontrar sobreviventes). Existiam quatro botes no voo e, se só um foi avistado, outros podem estar perdidos no mar", disse um tenente ao Estado, que pediu para não ser identificado. Há ainda a possibilidade de que os botes tenham se desprendido dos bancos na queda.

 

No entanto, o procedimento padrão em caso de evacuação, caso existisse um tripulante da Air France em um dos botes, seria amarrar as embarcações umas as outras. Em cada um deles cabem 35 pessoas. A possibilidade é considerada remotíssima por especialistas. O material recolhido será levado a uma distância de até 250 milhas próximas a Fernando de Noronha. Desse ponto, dois helicópteros carregarão o que for encontrado até o arquipélago. Esse limite foi estabelecido por causa da autonomia dos helicópteros, que podem fazer voos de ida e volta que somam 500 milhas.

 

Submarino que achou o Titanic

 

Segundo a BBC, o mini-submarino francês Nautile, usado em operações de busca das carcaças do Titanic, deverá participar do resgate das caixas-pretas do avião da Air France. O Nautile, que também ajudou nas buscas pelo petroleiro Prestige, que causou um desastre ecológico na Europa em 2002, está sendo levado para o local onde os destroços do avião foram vistos, a cerca de 700 quilômetros de Fernando de Noronha, pelo navio francês Pourquoi Pas.

O mini-submarino, normalmente operado por dois pilotos e um observador , é equipado com braços motores e pinças e pertence ao Instituto Francês de Pesquisas para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês). Ele deve integrar as operações de busca a pedido do governo francês.

O Nautile foi o primeiro submarino a alcançar a carcaça do Titanic, que estava no fundo do mar desde 1912, depois que o navio foi detectado por sonares franceses no Atlântico Norte. Desde o início de suas operações, em 1984, o Nautile já realizou mais de 1,5 mil trabalhos de busca. O submarino pode mergulhar a profundidades de até 6 mil metros.  

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