Mais quatro policiais paulistas vítimas de ataques

Dois policiais civis e dois militares foram executados em menos de quatro horas no Estado. As mortes violentas, registradas entre 19h30 e 23h30 de ontem, acuaram ainda mais os responsáveis pela segurança pública. Outros dois PMs sofreram ataques, a tiros e com bomba caseira, mas nada sofreram. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os agentes civis foram vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte). A motivação das mortes e dos atentados contra os PMs está sendo investigada.Na capital, o sargento da reserva Roberto Alves da Silva, de 47 anos, foi a primeira vítima. Ele foi executado com 19 tiros, às 21h15, dentro da Drogaria Ranghieri, na Estrada de Mogi das Cruzes, em Ermelino Matarazzo, zona leste, onde fazia bico como segurança. A corporação descarta ataque do crime organizado e diz ter fortes indícios de que o homicídio foi motivado por vingança.Segundo o cunhado dele, A.C.S., de 42 anos, o sargento estava na farmácia comprando remédio, quando foi morto. ?Ele tinha acabado de sair de casa. Foi a conta de chegar lá e os criminosos se aproximarem gritando. Ele se virou e foi atingido com um disparo de fuzil. Depois levou mais 18 tiros de pistola.?S. negou que Silva trabalhasse como segurança na farmácia, mas a informação foi confirmada por colegas e pelo tenente-coronel Luiz Eduardo Arruda, comandante do 2º Batalhão. Segundo Arruda, a principal hipótese é a de Silva ter sido morto por bandidos da região. Colegas do sargento ainda disseram que, no dia anterior, o policial se desentendeu com alguns rapazes que brigavam na padaria vizinha à farmácia. ?Temos quase certeza de que foi esse o motivo da morte. Ele se impôs, os ladrões não gostaram e o mataram?, disse um cabo da PM, que falou com Silva sobre a briga um dia antes do ataque. O policial foi enterrado hoje no Cemitério da 4ª Parada.Às 23h30, o PM José Tibiriçá da Silva, de 33 anos, foi morto com mais de cinco tiros no peito, em Heliópolis, zona sul. Ele jogava bilhar com o padrasto num bar, quando dois rapazes invadiram o local e o alvejaram sem nada dizer. Os atiradores fugiram numa motocicleta. Mortes no interiorNo interior, dois investigadores foram vítimas de latrocínio. O policial civil Edgard Roberto Zaccariotto foi assassinado às 19h30 de anteontem, ao reagir a um assalto em seu comércio, na Estrada Municipal da Rocinha, em Guaratinguetá. Ele foi atingido com vários tiros na cabeça, depois de atirar contra o pé de Tatiano de Souza, o Tati, um dos ladrões, que havia acabado de roubar um cliente. Mesmo ferido, Tati tentou fugir com o carro da vítima, mas foi cercado e levado à polícia.Em Registro, o investigador Onofre Moreira de Lima Filho, de 36 anos, foi morto com nove tiros ao reagir ao assalto ao Bingo Século 21. Lima Filho estava com a namorada na porta da danceteria Boing Louco, quando viu cinco homens, armados com espingardas calibre 12 e metralhadoras, dominarem os funcionários do bingo. Ele tentou evitar a ação dos criminosos e foi executado.AtentadosUm policial militar foi vítima de um atentado a tiros, no fim da madrugada de ontem, na Rodovia Ayrton Senna, na altura do km 22, bairro de Cidade Satélite, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Valdo Leôncio de Lima dirigia seu veículo, por volta das 5h30, quando foi atacado. Dois homens que ocupavam uma motocicleta passaram do lado do carro do PM e efetuaram diversos disparos. Os tiros acertaram os vidros dianteiro e traseiro do automóvel. Valdo não foi atingido. O policial militar suspeita de ter sido seguido por criminosos que anotaram as placas de seu carro no estacionamento do local onde trabalha. E às 20 horas de ontem, uma bomba caseira foi lançada na garagem da casa de um policial militar, morador da Vila Iolanda, na zona sul da capital. O artefato destruiu a janela da sala. Naquele momento, apenas a irmã do policial estava em casa. Ela nada sofreu.

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