Mais seis mulheres processam médico que operou brasileira nos EUA

Seis mulheres da cidade de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, que tiveram problemas durante as cirurgias plásticas feitas pelo médico Luiz Carlos Ribeiro, na cidade de Passa Quatro (MG) irão mover ações judiciais de indenização contra o cirurgião plástico. Ribeiro é acusado pela morte da brasileira Fabíola de Paula, de 23 anos, no Estado norte-americano de Massachusetts. Todas as vítimas reconheceram o médico quando ele foi preso nos Estados Unidos.Há ainda outras mulheres da cidade de Cruzeiro e região que já procuraram o advogado Luiz Alberto de Souza Gonçalves, para ações semelhantes. "Indenização por danos morais e ressarcimento por danos materiais e estéticos", explica o advogado. Segundo ele os valores das indenizações serão ainda definidos. "Cada caso é diferente do outro. Uma das clientes teve seis convulsões e duas paradas cardio-respiratórias assim que saiu da clínica. Outra ficou sem umbigo, outra o nariz ficou torto e todas traumatizadas". VítimasUma delas é a balconista Mayrilene Moreira da Silva, de 22 anos que passou pelas mãos do médico por três vezes. "Fiz lipo, uma outra para corrigir a lipo e uma terceira plástica na tentativa de corrigir as outras duas". Ela ficou com uma cicatriz torta na barriga, com buracos, já que o sangue coagulou e inflamou muito. "O resultado foi péssimo, acabou com minha auto-estima", diz emocionada ao se lembrar que a cirurgia estética foi um presente do avô, que morreu em seguida. Segundo Mayrilene outras mulheres buscavam a cirurgia com o médico porque ele cobrava de R$3 a R$3.500 e parcelava em até seis vezes. "Muita gente foi até ele". Todas as pacientes fizeram lipoaspiração e cirurgias plásticas. "A maioria tem muita vergonha, fica constrangida por causa das lesões graves", conta o advogado. Ele vai propor as ações e se necessário pedir o bloqueio dos bens do médico. As cirurgias foram realizadas na Santa Casa de Caridade de Passa Quatro, em Minas Gerais, onde o médico atendia no ano passado. "Elas relataram que ele dizia: `tem vaga hoje, quer fazer agora?´, sem se preocupar com nada". Com uma cicatriz roxa grande na barriga, a dona-de-casa Clarice Pereira Gonçalves, de 54 anos, tem dores e dificuldade para sentar. Muito abalada com o resultado da cirurgia feita por Ribeiro é uma das seis mulheres. Um ano depois da operação relata sua depressão."Tenho vergonha, estou traumatizada, sem coragem de se olhar no espelho, sem coragem de aceitar qualquer carinho do meu marido". "Ele prometeu fazer outra cirurgia para reparar, disse que ia pagar os remédios, mas quem tem coragem de voltar nele?".

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