Mais três imóveis são tombados no bairro da Lapa

Preservação de vidraçaria, metalúrgica e asilo era reivindicação de moradores

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

Mais três imóveis entraram ontem na lista dos bens históricos tombados na Lapa, zona oeste de São Paulo, resultado direto do embate dos moradores da área com a Prefeitura para tentar frear a especulação imobiliária e preservar ao máximo o legado industrial da região. Depois de muitos pedidos e reclamações da associação do bairro, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) decidiu tombar a Vidraria Santa Marina, a antiga Metalúrgica Martins Ferreira e uma casa onde funcionou um asilo nos números 966 ao 990 da Rua Turiaçu. O órgão vai agora estudar o tombamento de outros seis casarios e casarões da Lapa.

A polêmica já dura 13 meses. Primeiro, foram as audiências públicas para discutir a elaboração do Plano Regional Estratégico do bairro. Desde que decidiu excluir do processo de tombamento 23 imóveis da Lapa e tombar outros 17, em maio deste ano, o Conpresp virou uma sigla bastante debatida na região. Moradores, que defendem a preservação da Lapa histórica dos trens e dos operários, criticaram o governo por "ignorar uma reivindicação popular e beneficiar os edifícios residenciais nas proximidades da linha férrea".

Entre os bens tombados ontem, talvez o mais simbólico para a história do Lapa seja a Vidraria Santa Marina, localizada entre os números 405 e 833 da Avenida Santa Marina.

O local foi fundado pelo engenheiro Elias Fausto Pacheco e pelo advogado Antonio da Silva Prado em 1895 - época em que o bairro era um largo alagadiço e praticamente desabitado, com algumas poucas casinhas de sapé e pau a pique.

VILAS OPERÁRIAS

O espaço escolhido para a fábrica foi a área próxima ao Rio Tietê, rica em jazidas de areia de cor e qualidade ideais para a fabricação de vidro - ali eram feitos frascos para perfumes, garrafas, o vidro azul do "Leite de Magnésia de Philips" e ampolas para penicilina.

Parte da fábrica existe até hoje, mas uma imensa porção do terreno acabou dando lugar a outros empreendimentos (dois grandes lagos que existiam ali, por exemplo, foram aterrados e viraram a sede da TV Cultura) e as vilas operárias que existiam ao redor foram inteiramente demolidas.

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