Wilton Júnior/AE
Wilton Júnior/AE

Mais três PMs são condenados pela morte da juíza Patrícia Acioli em Niterói

Em depoimentos durante o julgamento, os três réus negaram envolvimento com o crime

Fábio Grellet - O Estado de S. Paulo - Atualizado às 23h20,

30 de janeiro de 2013 | 22h43

Três policiais militares acusados de matar a juíza Patrícia Acioli, em Niterói (Região Metropolitana do Rio), em 11 de agosto de 2011, foram condenados ontem à noite, durante julgamento promovido pelo 3º Tribunal do Júri da cidade.

O cabo Jefferson de Araújo Miranda foi punido com 26 anos de prisão por formação de quadrilha e homicídio triplamente qualificado. O também cabo Jovanis Falcão foi punido pelos mesmos crimes a 25 anos e seis meses de prisão. O soldado Júnior Cezar de Medeiros foi condenado a 22 anos e seis meses por homicídio duplamente qualificado. Em depoimentos durante o julgamento, os três réus negaram envolvimento no crime. Ainda cabe recurso.

Agora são quatro os PMs condenados pela morte da juíza. Em 5 de dezembro passado o cabo Sérgio Costa Júnior foi condenado a 21 anos de prisão por formação de quadrilha e homicídio qualificado (por motivo torpe, mediante emboscada e para assegurar impunidade de outro crime). Outros sete policiais ainda aguardam julgamento, que segundo o Ministério Público só deve ocorrer em 2014.

Na sentença emitida ontem, o juiz Peterson Simão citou a dor da família da juíza. "Uma mãe que sepulta a filha sepulta também parte de si mesma, e os filhos que sepultam uma mãe carregam consigo uma profunda tristeza".

Ao ouvir as palavras do juiz, a mãe de Patrícia, Marly, se emocionou. "Fizeram justiça para a minha filha. Isso não é maravilhoso?" Simone Acioli, irmã da juíza, foi mais contida. "Ficamos satisfeitas, mas a Justiça e a sociedade não podem esquecer que ainda faltam outros sete réus. Nós esperamos que todos sejam condenados, inclusive o tenente-coronel Cláudio Oliveira", disse, referindo-se ao PM acusado de ser o mandante do crime.

O julgamento durou dois dias. O momento de maior comoção ocorreu ontem, quando o assistente de acusação, Técio Lins e Silva, chamou a filha da juíza, Ana Clara, de 15 anos, e apresentou a adolescente aos jurados. "Ela quer ser juíza como a mãe", afirmou.

No primeiro dia, o momento de maior tensão foi o depoimento do coronel Mário Sérgio Duarte, que era comandante-geral da PM quando o crime ocorreu. Ele foi arrolado como testemunha de defesa de Júnior Cezar e criticou a investigação. "Observei nos depoimentos, principalmente relativos à delação premiada, que em alguns momentos as informações são contraditórias dentro do próprio depoimento. No caso do Jefferson, por exemplo, ele presta dois depoimentos completamente diferentes. Eles são inconsistentes", afirmou o coronel. "Fiquei interessado pelo processo porque esse crime encerrou a minha carreira. Eu me vi compelido pelas circunstâncias a encerrar a minha carreira", disse.

O crime

A juíza Patrícia Acioli foi morta com 21 tiros quando chegava em casa, em Niterói, à noite. Ela tinha 47 anos e trabalhava na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, cidade vizinha. Algumas horas antes, Patrícia havia expedido três mandados de prisão contra PMs réus em um processo sobre a morte de um morador do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo.

Segundo a Polícia Civil, o cabo Sérgio Costa Júnior e o tenente Daniel Benitez Lopez seguiram a juíza em uma motocicleta e atiraram quando ela estacionava o carro. O mandante do crime seria o tenente-coronel Cláudio Oliveira, que comandava o Batalhão da PM em São Gonçalo. Outros oito policiais militares teriam ajudado a planejar o assassinato.

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