Mais um ano e meio de obras no viaduto Antártica

As obras de recuperação do viaduto Antártica, importante via de ligação entre as zonas Norte e Oeste de São Paulo, poderiam ter sido realizadas em seis meses, mas já se arrastam por um ano e só estarão concluídas em outubro de 2002. A avaliação é da Prefeitura, que atribui o atraso à falta de verbas. A recuperação está orçada em R$ 7,5 milhões, valor que poderá crescer em razão da demora nas obras. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), diariamente, nos horários de pico, cerca de 6 mil veículos utilizam o viaduto,que tem três de suas seis faixas interditadas.A Secretaria de Infra-Estrutura Urbana do município admite que não conseguirá reduzir o tempo da obra. Segundo o superintendente de Obras Viárias da Prefeitura, Ricardo Rezende Garcia, a recuperação do viaduto não é prioritária, se comparada a outras obras viárias em andamento na cidade. "A prefeitura não cria dinheiro, não tem uma fábrica de papel. Estou pagando o serviço feito no ano passado (no Antártica) com verba de exercícios anteriores. Ou seja, dinheiro que eu estou tirando do meu orçamento deste ano para colocar em ordens de pagamento anteriores", argumenta Garcia.Atualmente, segundo informa o superintendente de Obras Viárias da Secretaria de Infra-Estrutura Urbana, a Prefeitura paulistana aplica de R$ 250 a R$ 300 mil por mês nas obras de recuperação do viaduto. "Eu poderia estar gastando R$ 700 a 800 mil por mês e faria a obra em seis meses. Mas eu tenho R$ 250 a R$ 300 mil por mês", afirma. "Há outras obras que eu nem comecei. Eu não tenho hoje como colocar o ritmo mais forte porque, se não, eu vou parar outras obras que também estão no mesmo estágio e são tão importantes quanto a do Antártica", justifica o engenheiro da Prefeitura.Quando as obras tiveram início, em maio do ano passado na gestão do ex-prefeito Celso Pitta (PTN), 70 homens trabalhavam diariamente no local, segundo Antônio Fernando Gonçalves Simões, diretor da empreiteira Jofege Pavimentação e Construção Ltda, empresa responsável pela reforma no Antártica . Atualmente, o número de empregados na obra não ultrapassa 40 pessoas. "Dependemos da verba definida pela secretaria de Finanças para poder trabalhar", diz o diretor da Jofege, explicando o motivo pelo qual teve de reduzir o quadro de funcionários no local.O diretor da empreiteira afirma que, durante a gestão de Pitta, eram aplicados mensalmente cerca de R$ 700 mil na obra. "Normalmente, eram aplicados mais recursos, mas não tínhamos como fazer uma programação (das atividades dos serviços da obra) mês a mês porque havia inconstância. Em alguns meses, chegamos a receber R$ 200 mil", disse ele. "Agora, (na administração de Marta Suplicy) estamos recebendo menos dinheiro, mas a verba é constante e temos como nos programar", diz o diretor da Jofege.Segundo ele, a obra de recuperação do Antártica não chegou a ser completamente paralisada nenhum dia desde que foi iniciada. "Paralisação não houve. Mas no final do ano passado, por pelo menos 15 dias, reduzimos o número de trabalhadores na obra de 70 para 15 pessoas. Esse número é muito pequeno para uma obra como esta. É praticamente como se ela tivesse sido interrompida."A drástica redução do quadro de empregados na obra e a conseqüente desaceleração dos trabalhos ocorreu, segundo o diretor da empreiteira, por conta do cancelamento, feito pela Prefeitura em dezembro último, das notas de empenho. O superintendente de Obras Viárias da gestão petista afirma que em janeiro, quando Marta tomou posse, a Prefeitura acordou que, não apenas a Jofege mas também as empresas encarregadas de outras obras, deveriam retomar seus trabalhos. "O que foi combinado com eles (empreiteiras) é que estariam recebendo, como a partir de abril começaram a receber. Desta maneira, poderiam voltar ao ritmo normal", diz o engenheiro da administração.

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