Mais um gay encontrado morto em Carapicuíba

Desde julho de 2007, pelo menos 14 pessoas foram assassinadas no Parque dos Paturis; polícia investiga existência de matador em série

Gilberto Amendola e Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2009 | 00h00

Um homem foi encontrado morto ontem pela manhã em circunstâncias semelhantes às de outros 13 assassinatos ocorridos desde 2007 na região do Parque dos Paturis, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Ivanildo Francisco de Sales Neto, de 25 anos, tinha sinais de agressão a pauladas. A Polícia Civil de São Paulo ainda não identificou o autor - ou autores - dos crimes. O delegado seccional da cidade, Paulo Fernandes Fortunato, afirma ainda não ser possível fazer relação entre o crime de ontem e os demais.A vítima deste domingo era um homossexual assumido, segundo uma testemunha ouvida no 1ºDistrito Policial de Carapicuíba, informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Assim como em outros casos na área sob investigação, Sales Neto foi encontrado com as calças abaixadas, o que caracterizaria um crime de intolerância à orientação sexual.O laudo da Equipe de Perícias Médicas de Osasco, para onde o corpo foi levado, deve ser concluído em 45 dias. Ontem, porém, uma funcionária informou que as pancadas parecem ser a causa da morte. Em 12 de fevereiro do ano passado, Ângelo Magalhães, de 34 anos - que está entre as 13 vítimas - foi encontrado morto a pauladas. Os demais foram baleados.O Parque dos Paturis é conhecido como ponto de encontro de homossexuais. A hipótese de que haja um matador em série de gays agindo na região foi levantada pelo delegado seccional, em dezembro do ano passado. Tendo assumido quatro meses antes o posto, ele disse que iria refazer "do zero" as investigações sobre os casos. Fortunato não falou sobre o caso ontem. A Secretaria de Segurança informou que as características da morte de Sales Neto são diferentes das demais, uma vez que a vítima não foi morta a tiros e estava fora do parque. A secretaria diz que o delegado não confirma se o morto era homossexual, mas a hipótese de relação entre os casos está sendo investigada. Caso os 14 assassinatos tenham sido cometidos por uma única pessoa - ou grupo de pessoas -, essa série de assassinatos será superior, em número de mortes, à cometida por Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque do Estado, que matou dez mulheres.SOLUÇÃO E IMPUNIDADEMilitantes do movimento de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) de São Paulo exigem rapidez na solução dos casos. "E se fossem 13 mulheres? E se fossem 13 crianças? A orientação sexual ainda é, infelizmente, algo que baliza o tempo, a responsabilidade e o envolvimento da polícia para solucionar o caso", disse Beto de Jesus, secretário para a América Latina e Caribe da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (Ilga). "O que proporciona novos crimes é a certeza de impunidade. Se os casos não foram esclarecidos e os responsáveis punidos, acabam ocorrendo mais crimes", afirmou Ariel de Castro, do Conselho Estadual de Direitos Humanos. "Existe uma delegacia especializada para crimes de intolerância, mas infelizmente ela não atuou nesses casos. E nós sabemos que a polícia é despreparada para ouvir os homossexuais."

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