Mais um ônibus queimado na guerra dos perueiros

A guerra entre perueiros e Prefeitura causou novos prejuízos nesta sexta-feira. Mais um ônibus foi destruído na zona sul e outros três apedrejados, como provável represália à fiscalização contra os lotações clandestinos. No primeiro dia do reforço das operações, nesta quinta-feira, sete ônibus foram incendiados e um totalmente depredado, segundo a São Paulo Transporte (SPTrans). A prefeita Marta Suplicy (PT) mandou nesta quinta-feira mesmo um recado aos clandestinos: não cederá à pressão. "Todos os cidadãos devem obedecer à lei, e quem não fizer isso deve responder por seus atos", disse. O presidente da Associação dos Perueiros da Zona Sul, Laércio Ezequiel dos Santos, negou que tenha participação nos ataques. O primeiro caso desta sexta-feira ocorreu por volta das 14 horas. Três pessoas jogaram uma garrafa com álcool no carro, que estava no ponto final, no Jardim Guaimbu. De manhã, nove peruas haviam sido apreendidas pela SPTrans. O fogo queimou principalmente a parte interna - o motorista e o cobrador evitaram que houvesse a destruição total. Ninguém foi preso. À noite, três ônibus da Viação Santo Expedito foram apedrejados por desconhecidos em Pedreira, também na zona sul. Um passageiro foi ferido por uma pedra. Os vândalos ainda tentaram incendiar um outro veículo da mesma empresa com um coquetel molotov. Não houve prisões. Nesta quinta-feira, quando a SPTrans apreendeu 36 peruas, os atentados atingiram sete linhas em pontos diferentes da zona sul. Por dia, elas transportam cerca 1.600 passageiros. Marta Suplicy afirmou nesta quinta-feira que a Prefeitura não cederá à pressão dos perueiros. Ela solicitou ao secretário estadual de Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi, reforço policial na fiscalização. A suspeita é que a ação tenha partido de grupos de perueiros em protesto contra a apreensão de 36 lotações irregulares. "Temos a informação de que o incêndio foi provocado por pessoas ligadas ao narcotráfico", completou a prefeita. Laércio Ezequiel dos Santos, da Associação dos Perueiros da Zona Sul, negou nesta quinta-feira ter tido participação no episódio. Ele contou que presenciou um dos ataques porque tem um escritório em frente do Shopping Interlagos, onde um carro foi incendiado. "Se a gente coloca fogo, aumenta a perseguição." Segundo o secretário municipal de Transportes, Carlos Zarattini, existe uma "máfia de peruas" por trás dos incêndios. "Eles controlam as linhas e cobram para os motoristas trabalharem. Por isso, não têm nenhum interesse na legalização da categoria," explicou.Zarattini reafirmou que prefere corrigir as irregularidades detectadas na licitação para regularizar os perueiros a ter de anulá-la. Em nota emitida nesta sexta-feira, o Transurb - sindicato das empresas de ônibus - atribui os incêndios aos perueiros, a quem classifica como "delinqüentes". "Os promotores da barbárie, velhos conhecidos da polícia e fotografados pela imprensa durante atos de depredação, continuam livres e impunes", diz o texto. A prefeita admitiu que a secretaria pode regularizar um número maior de lotações do que os 4.042 previstos na licitação que está sendo revista. "No futuro podemos pensar em regularizar um pouco mais, mas não os 30 mil que circulam na cidade." O presidente do Sindlotação, José Célio dos Santos, pede providências do Ministério Público e da polícia contra quem estimular a violência. "Quem incentiva tem de ser punido", afirmou, referindo-se a Laércio.

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