Mais uma base da PM é atacada; polícia interdita ruas

Mais uma base da Polícia Militar foi atacada na noite deste sábado, 13. A 2º Companhia da Polícia Militar em São Bernardo do Campo, no Grande ABC, foi atacada por volta das 19h30, no bairro de Taboão. Não houve feridos, segundo informou a polícia. Com isso, sobe para 58 o número ataques a bases, delegacias e policiais do Estado de São Paulo organizados pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) desde a noite de sexta-feira, 12. A ação coordenada deixou pelo menos 30 mortos, sendo dois civis, segundo balanço divulgado durante a tarde pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.A polícia interditou algumas ruas da Capital por medida de segurança. Uma delas é a Avenida Zaki Narchi, em Santana, onde está localizada a sede do Deic e de onde cerca de 300 policiais estão reunidos, de prontidão para alguma operação de emergência. Outras ruas interditadas são a Hugo D´Antola, no bairro da Lapa, onde está localizada a Superintendência da Polícia Federal, e a Rua Brigadeiro Tobias, entre as ruas Mauá e Senador Queirós, no centro. Em virtude dos ataques do PCC na cidade de São Paulo, a polícia irá realizar blitze em vários pontos, na noite deste sábado e durante a madrugada. Também neste sábado, mais duas bases da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo foram atacadas simultaneamente na zona norte da capital, segundo a PM. Uma das bases está localizada na Avenida Ordem e Progresso, no Limão, e a outra na Rua João Marcelino Branco, na Vila Nova Cachoeirinha. Os ataques aconteceram por volta das 17 horas, deixando um GCM ferido levemente.Outros três suspeitos de terem participado dos ataques foram presos, na zona norte da Capital, por policiais do Garra e da Delegacia de Roubo a Bancos, do Deic. Dezesseis suspeitos haviam sido presos pela manhã.RebeliõesDetentos de 18 unidades prisionais estão rebelados em todo o Estado de São Paulo. Motins em Presidente Prudente e Serra Azul, Itirapina, Avaré, Iaras e Guareí foram controlados, segundo informou a Secretaria de Administração Penitenciária. Continuam rebelados os presos das unidades de Ribeirão Preto, Pirajuí, Araraquara, Flórida Paulista, Lucélia, Lavínia, Mogi das Cruzes, Suzano, Marabá Paulista, Campinas, Diadema, Franco da Rocha, Riolândia, Potim, Irapuru, São José do Rio Preto, Paraguaçu Paulista e do CDP de Osasco. RefénsEm pelo menos três delas, Lavínia, Flórida Paulista e São José do Rio Preto, os detentos amotinados retêm centenas de pessoas que foram visitar familiares dentro dos presídios. O horário de encerramento das visitas terminou às 15h45, mas a maioria delas não saiu. No Centro de Detenção Provisória (CDP) de São José do Rio Preto, os detentos liberaram crianças e idosos, mas seguram dentro do presídio cerca de 200 pessoas. Em Lavínia, haveria pelo menos 80 parentes de detentos que não foram liberados. Um número não revelado de visitantes estaria nas dependências internas da Penitenciária de Flórida Paulista. Segundo balanço divulgado pela SAP, há 90 reféns sob o domínio dos rebelados. Em Riolândia, detentos fazem 12 agentes reféns; em Ribeirão Preto, 9; Pirajuí, 10; Mogi das Cruzes, 6; Suzano, 13; Lucélia, 11; Lavínia, 1; Marabá Paulista, 3; Diadema, 11; Franco da Rocha, 2 reféns; Irapuru, 10; e, em Osasco, 2 reféns. Não há informações sobre reféns nas unidades de Araraquara, Campinas, Flórida Paulista, Paraguaçu Paulista e Potim. MarcolaO líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, já está na Penitenciária de Presidente Bernardes, sob regime diferenciado de detenção. Conversas telefônicas entre detentos de penitenciárias da região noroeste do Estado, grampeadas pelo Departamento de Polícia do Interior (Deinter-5), de São José do Rio Preto, identificaram que a ordem dos ataques a PMs na madrugada deste sábado foi dada por . Marcola também teria ordenado a rebelião na Penitenciária de Valparaíso, onde 951 detentos estão dormindo ao relento porque o presídio teve suas dependências internas totalmente destruídas. Plano Em entrevista coletiva neste sábado, o governador de São Paulo, Claudio Lembo, afirmou que sabia, desde a noite de quinta-feira, que os criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) planejavam ataques e várias medidas foram tomadas, o que teria evitado um número maior de mortos. Ao todo foram 55 ações, entre a noite de sexta-feira e manhã de sábado em todo o Estado, contra bases, veículos e policiais da Polícia Militar, Polícia Civil, Guardas Civis e da Administração Penitenciária, que resultaram em 30 mortes.AtaquesDos 58 ataques à polícia, na Grande São Paulo, 29 foram feitos contra a Polícia Militar, 20 contra a Polícia Civil, seis deles contra a Guarda Civil Metropolitana e três ataques contra a Secretaria de Segurança Pública.Das 30 pessoas assassinadas, 11 eram policiais militares, cinco da Polícia Civil, três eram da GCM, quatro agentes penitenciários e dois eram civis e cinco eram bandidos. Dezenove pessoas foram presas.Movimento só perde para 2001Esta é a segunda maior ocorrência de rebeliões simultâneas na história do Estado. Em fevereiro de 2001, 25 presídios e 4 cadeias participaram de motins organizados pelo PCC. O movimento deixou pelo menos 16 presos mortos e teve a participação de 25% dos 94 mil detentos do Estado.

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