Mais uma criança encontrada morta e mutilada no MA

Mais uma criança foi encontrada morta e emasculada na periferia de São Luís. É o vigésimo caso ocorrido nos últimos dez anos no Maranhão, o que aumenta ainda mais o mistério sobre o desaparecimento de menores, que começou em Altamira (PA), no mesmo período, e se estendeu por outros Estados. Nenhum suspeito foi preso. Entidades ligadas aos Direitos Humanos anunciaram que irão pedir ao Ministério da Justiça a entrada da Polícia Federal nas investigações. Nos últimos 10 anos, pelo menos 40 crianças morreram nas mesmas circunstâncias. Todas eram meninos, tiveram seus orgãos sexuais extirpados de forma cirúgica quando tinham entre nove e 15 anos, moravam em áreas pobres das duas cidades, ajudavam suas famílias no sustento da casa e eram de boa aparência. "Se o governo do Estado solicitar nossa ajuda, com certeza vamos entrar na investigação", informou o diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho. O último caso do Maranhão ocorreu na segunda-feira. W.F.S., de 13 anos, foi encontrado morto na periferia de São Luis da mesma forma que outros 19 meninos. A polícia civil abriu mais um inquérito, que pode resultar em nada, como os demais. Segundo o Centro de Justiça Global e o centro de Defesa Marcos Passerini, dez inquéritos encontram-se parados, outros três foram arquivados por decisão judicial, três estão aguardando julgamento, dois julgados - um dos julgamentos foi anulado e o outro condenou uma pessoa que já foi libertada - e um está desaparecido. AltamiraO caso do Maranhão é semelhante aos que ocorreram em Altamira, entre 91 e 99. No interior do Pará, 19 crianças foram atacadas por homens e algumas tiveram os órgãos tirados com instrumento cirúrgico - provavelmente bisturi, segundo laudo periciais - e depois, mortas. Até hoje, nenhum dos casos foi a julgamento, apesar de algumas pessoas terem sido presas e logo depois libertadas, por falta de provas. Pela avaliação das famílias das crianças de Altamira, tudo leva a crer tratar-se de uma seita com ligações entre o Pará, Maranhão, Goiás e Estados do Sul do País. A PF chegou a fazer uma investigação sigilosa, mas o trabalho foi interrompido por falta de recursos.

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