Mais uma pessoa morre em RS vítima do ciclone na região

BR-101 continua interditada, no trecho que liga Osório a Torres; cerca de 3 mil ainda estão desabrigados

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2008 | 21h54

O ciclone extratropical que se formou na costa do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina no sábado provocou mais estragos nesta segunda-feira, 5. Em São Francisco de Paula, na serra gaúcha, um homem de 73 anos, identificado como Deonel José Paulino, tentou atravessar uma ponte tomada pela água e foi arrastado pela correnteza. Seu corpo foi encontrado a quatro quilômetros de distância.   Veja também: Afetados por ciclones em Santa Catarina recebem alimentos Defesa Civil alerta para temporais em quatro Estados Após ciclone extratropical, BR-101 segue interditada no RS Ciclone extratropical castiga a divisa entre SC e RS   É a segunda vítima direta das agruras climáticas desde sábado, quando o motorista José André Pinheiro Barneche morreu atingido por uma árvore em Serafina Corrêa. Naquele dia os bombeiros também encontraram Maria Estela da Silveira, de 80 anos, morta dentro de uma casa na zona sul de Porto Alegre, mas a causa foi atribuída a um mal súbito e não ao alagamento.   A chuva deixou de ser torrencial ainda no sábado, mas permaneceu em forma de pancadas esparsas e garoa, enquanto o vento ficou fraco. Mesmo assim, os transtornos aumentaram para os moradores das margens do Rio dos Sinos. O grande volume de água da chuva de sábado, na cabeceira, chegou a áreas dos municípios de Taquara e Parobé, no vale, invadindo mais de mil casas nos dois municípios. Os moradores começaram a procurar abrigo em casa de familiares e amigos ou centros comunitários no início da noite.   Um levantamento apresentado pela Defesa Civil no final da tarde indica que 3 mil pessoas ainda estão desalojadas na região metropolitana de Porto Alegre e no litoral. Entre elas estão as 350 que tiveram de buscar abrigos públicos. Cerca de 10 mil consumidores chegaram ao terceiro dia sem energia elétrica. As distribuidoras prometem restabelecer quase todas as ligações até esta terça-feira.   Rodovias   A Polícia Rodoviária Federal mantém o tráfego de Osório a Torres pela BR-101, no litoral norte, interrompido desde a noite de domingo. A rodovia ainda tem trechos alagados, especialmente no Quilômetro 40, em Três Forquilhas, onde um arroio inundou a pista. Os motoristas foram orientados a usar a RS-389, uma estrada estadual paralela, mas de menor capacidade, ou, em caso de viagem para o centro do País, a BR-116, pela serra. A situação será reavaliada ao meio-dia desta terça-feira, mas não é certo que o tráfego seja liberado.   A situação é ainda pior no trecho catarinense da BR-101. Em Araranguá, no sul do Estado, dois trechos passaram o dia cobertos por um metro de água. A interrupção do tráfego provocou um congestionamento de 25 quilômetros. Os desvios, por estradas estaduais e vicinais, também estão em más condições.   Santa Catarina   Ainda sem ter dados de todos os 33 municípios atingidos pela enxurrada e ventania de sábado, o Departamento Estadual de Defesa Civil de Santa Catarina contabilizou 1,6 mil pessoas desalojadas no Estado, especialmente nos municípios de Araranguá, Sombrio, Meleiro, Ermo, Jacinto Machado e Morro Grande. Cerca de 600 pessoas estão recolhidas em abrigos públicos. As demais procuraram casas de parentes e amigos. Em Praia Grande, 20 famílias ficaram ilhadas pela enchente do rio Mampituba.   As previsões dos serviços meteorológicos indicam que o ciclone vai se afastar da costa nesta terça-feira. O céu passará de nublado a ensolarado, mas a temperatura vai cair nos dois Estados. Os próximos dias terão madrugadas frias, com possíveis geadas, e tardes agradáveis.

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