WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Major culpa tráfico pela morte do pedreiro Amarildo

Edson Santos, que comandava a UPP da Rocinha, disse acreditar que o pedreiro tenha sido morto por traficantes

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2015 | 21h19

RIO - O major Edson Santos, que comandava a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, na zona sul do Rio, em julho de 2013, quando o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza desapareceu, e está preso acusado pelo homicídio, afirmou em entrevista à TV Globo que é inocente e que traficantes cometeram o crime para culpar a PM. A Polícia Civil e o Ministério Público acusam 25 policiais.

"Me trouxeram o Amarildo, eu liberei o Amarildo e ele saiu exatamente pela área da escada (da sede da UPP). Eu vi o Amarildo (só) um dia, que ele veio até mim e eu liberei", afirmou o policial, narrando sua versão do que ocorreu na noite de 14 de julho daquele ano.

Segundo o major, policiais da UPP detiveram o ajudante de pedreiro para averiguação e deveriam verificar se havia algum mandado de prisão contra ele. A lista de mandados estava disponível tanto na delegacia da área, na Gávea (zona sul), como no Centro de Comando e Controle da UPP, onde estava o então comandante. Amarildo foi levado ao Centro. "O que era mais perto, sair da Rocinha e ir até a delegacia da Gávea ou vir falar comigo?", afirmou. "As pessoas não entendem que aquilo é uma comunidade", afirmou.

O major afirmou acreditar que Amarildo tenha sido morto por traficantes. "Eu não tenho dúvida, tem material suficiente que aponta para o tráfico. Era uma tentativa de me tirar. A UPP da Rocinha era a mais bem aceita em índices de aprovação. A DH (Delegacia de Homicídios da capital, que investigou o caso) comprou a história de algum policial, de alguma fofoca", acusou.

E onde está o corpo do ajudante de pedreiro? "Essa pergunta você tem que ir lá na Rocinha e conversar com eles (traficantes). Ou melhor, mais fácil, pergunte para os moradores", respondeu Edson Santos.

Questionado se, passados dois anos do desaparecimento, os moradores não teriam denunciado o paradeiro do corpo, caso soubessem, o PM respondeu: "Falar diretamente? Chegar e defender a gente? Para quê, para morrer?"

Segundo Edson Santos, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi chamado porque no dia anterior vários traficantes foram presos durante uma operação policial, e ele receava que comparsas ainda soltos atacassem a unidade, em represália. "Eu tinha dez policiais na administração, e normalmente quem vai para a administração é quem ou tem medo de trabalhar na rua ou está com algum problema médico, um ou outro com pistola. Eu vou pegar aqueles (policiais) da administração para fazer a segurança de área? O Bope veio para fazer a segurança, simplesmente para dar a sensação de segurança", afirmou.

Sobre a suspeita do Ministério Público de que o corpo de Amarildo tenha sido retirado da favela na caçamba de uma caminhonete do Bope, o major também nega. A suspeita surgiu com base em imagens gravadas por câmeras de segurança na rua. "Não tem nada (na caçamba da caminhonete). Pode botar a Nasa (agência espacial norte-americana), coloca a Nasa, coloca dez peritos, coloca o papa (para analisar as imagens). Não tem nada ali", afirmou.


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