Major teme ''guerra fratricida'' entre polícias

Deputado estadual pelo PV, ferido por bala de borracha na perna, tentou encontro com Serra

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

17 Outubro 2008 | 00h00

O movimento salarial iniciado pela Polícia Civil ficou para segundo plano. O maior risco que São Paulo enfrenta atualmente é presenciar uma "guerra fratricida" entre as Polícias Civil e Militar. A opinião é do deputado estadual major Olímpio Gomes (PV), que durante a confusão de ontem acabou sendo ferido por uma bala de borracha na perna. Seu assessor também foi atingido por um estilhaço de bomba de efeito moral. Antes de o confronto ter início, Olímpio estava com o vereador Cláudio Prado (PDT) e com o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) tentando negociar uma comissão de parlamentares para intermediar um eventual encontro com o governador José Serra (PSDB). Depois que a confusão teve início e fugiu ao controle, Olímpio narra que carros do Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra), da Polícia Civil, passaram a avançar contra policiais da Tropa de Choque da Polícia Militar que tentavam organizar a manifestação. Em seguida, de ambos os lados, segundo o deputado, policiais passaram a apontar armas com munição real. O deputado conta que viu um soldado da PM ser espancado ao se dirigir ao carro para falar no rádio. "Vi metralhadoras serem apontadas. A certa altura, precisei subir em um dos carros da PM para tentar acalmar os ânimos," afirma. O deputado diz que o governo tenta colocar "panos quentes" ao dizer que não houve conflito. "O confronto foi seriíssimo e o risco agora é que se espalhe. Existem homens armados com os ânimos acirrados. O clima ainda está tenso e muitos policiais continuam chegando nos arredores à espera do segundo round." O deputado afirma que a cúpula do governo do Estado perdeu a condição ética e moral para continuar no comando das negociações com os grevistas. "Para evitar que a situação saia do controle, São Paulo precisa de uma intervenção federal e de apoio da Força Nacional de Segurança. É necessário pessoas não envolvidas na tensão para ajudar, num primeiro momento, e fazer os ânimos serem esfriados", diz. O presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo, Luiz Carlos dos Santos, defende que a política de segurança pública seja repensada. "Estamos conseguindo diminuir o crime, mas o governo não valoriza o policial, que precisa fazer bicos e morar em favelas," afirma.

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