Malária volta a ameaçar índios ianomâmis

A malária volta a ameaçar os índios ianomâmis. Depois de três anos de queda sucessiva no número de casos, a doença ganha novamente contornos de epidemia. Em 2005, foram 1.400 registros, em 2003 haviam sido 418. O número também é mais do que o dobro do registrado em 2004, com 622 doentes. Os ianomâmis têm denunciado a falta de medicamentos e inconstância dos serviços de assistência à saúde.Especialistas afirmam que problemas de várias nações indígenas se agravaram nos últimos dois anos, principalmente depois de uma mudança na forma de atuação da Fundação Nacional de Saúde. Em várias regiões há queixas de falta de estrutura.Entre os ianomâmis as perspectivas sombrias já são realidade. Além da malária, o número de casos de tuberculose pode ser ampliado, alerta o médico Cláudio Esteves, integrante da organização não governamental Comissão Pró-Yanomami (CCPY). Até meados de 2004, ele esteve à frente do trabalho de promoção e assistência à saúde para um grupo de 7.500 índios ianomâmis. Por discordar das mudanças na forma de assistência, sua ONG saiu do convênio firmado com a Fundação Nacional de Saúde.Além dos riscos da doença em si, a malária traz uma série de outros reflexos: "A doença é o primeiro passo para a escassez de alimentos (debilitados, os índios deixam de trabalhar a terra e, como não fazem estoques, ficam sem comida) e, em conseqüência, para a desnutrição", afirma o médico. Ele não descarta que, com a crise, aumentem os casos de outras doenças respiratórias.Em novembro, representantes de povos ianomâmi mandaram uma carta ao ministro da Saúde, Saraiva Felipe, relatando os problemas a que vinham sendo submetidos. O diretor do Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde, José Maria de França, admitiu haver falta de medicamentos em várias regiões do País. E atribuiu o problema à falta de recursos no orçamento e a falhas na forma de reposição do estoque.

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