Maluf vira réu em nova ação penal no Supremo

Deputado, sua mulher, Sylvia, quatro filhos do casal e dois parentes são acusados de desvio de dinheiro da construção da avenida Água Espraiada

MARIÂNGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2011 | 03h07

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu ontem um processo criminal contra o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), a mulher dele, Sylvia, quatro filhos do casal e mais dois parentes por suspeita de lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal sustentou que a família se envolveu num esquema de lavagem de recursos desviados de obras públicas da época em que Maluf administrou a capital paulista.

Com a decisão, Paulo Maluf e seus parentes passarão da condição de investigados para a de réus. O ex-prefeito e a mulher ficaram livres da acusação de formação de quadrilha porque, segundo os ministros, em razão da idade deles já ocorreu a prescrição. Mas os outros também responderão por formação de quadrilha.

Relator do processo, Ricardo Lewandowski destacou os valores "astronômicos" dos supostos desvios. Ele citou que o prejuízo ao erário foi de cerca de US$ 1 bilhão. Também disse que há informações de que a família Maluf teria movimentado no exterior cerca de US$ 900 milhões.

O ministro destacou que o total de recursos consumidos com a obra da Avenida Água Espraiada foi de R$ 800 milhões. Mas que as suspeitas são de que cerca de US$ 1 bilhão teria sido lavado. Além dos valores altíssimos, o ministro mostrou ter ficado surpreso com o fato de o caso envolver mais de uma dezena de empresas offshore.

De acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a maioria dos recursos foi desviada da construção da avenida, que consumiu a quantia "absurda" de R$ 796 milhões. Na época das obras, Maluf era prefeito de São Paulo.

"O que está provado nos autos, fartamente, é que integrantes da família Maluf uniram-se em torno do objetivo comum de ocultar e dissimular a origem de valores provenientes de crimes contra a Administração Pública praticados por Paulo Maluf enquanto exerceu o mandato de prefeito de São Paulo", disse o procurador.

O procurador afirmou que a investigação não foi feita diretamente pelo Ministério Público Federal. "As provas foram obtidas em inquérito policial e por intermédio de cooperação internacional", disse.

Dificuldade. O destaque da sessão foi o advogado José Roberto Leal de Carvalho, que defende Maluf. "É muito difícil defender Paulo Maluf. Paulo Maluf carrega um carisma de ódio, desde a Copa de 1970 (quando ele presenteou jogadores com automóveis Fusca). Começa o calvário dele lá", disse. Também criticou o fato de o Ministério Público Federal ter denunciado por formação de quadrilha oito integrantes da família Maluf. "A quadrilha só vai acabar quando matarem todos e restarem três", disse.

José Roberto Batocchio, advogado do filho do deputado, Flávio Maluf, também tratou do assunto. "No Brasil, transformaram formação de família em formação de quadrilha", disse. Ele reclamou do uso pelo Ministério Público de provas fornecidas pela Suíça.

Por meio de sua assessoria o deputado informou: "Diante da decisão do Supremo Paulo Maluf irá apresentar defesa e provará sua inocência".

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