Univap|Divulgação
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Mamilo de silicone vira opção pós-câncer

Técnica evita a realização de procedimentos que podem ser dolorosos, como enxertos ou tatuagens; universidade não cobra pelas próteses

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

13 Novembro 2016 | 06h00

Um trabalho personalizado e delicado está devolvendo a autoestima de mulheres que enfrentaram o câncer de mama. Para aquelas que fizeram cirurgia para remover o tumor, são desenvolvidos mamilos de silicone.

Desde abril, o Ambulatório de Próteses Faciais da Universidade do Vale do Paraíba (Univap) está oferecendo mamilos de silicone pigmentados para voluntárias, que pagam só um valor simbólico pela consulta – as próteses são gratuitas. O modelo não é invasivo e evita a realização de novos procedimentos, que podem ser dolorosos, como uma tatuagem ou a reconstrução usando enxertos.

O projeto começou a ser elaborado no fim de 2015 e tem como alvo mulheres que usam próteses externas ou que colocaram prótese de silicone após a mastectomia. “Fazemos o molde do peito sadio e confeccionamos a auréola e o mamilo. O silicone é incolor e pigmentamos até chegar ao tom da pele da paciente”, diz Ana Christina Claro Neves, professora do curso de Odontologia e coordenadora do ambulatório.

Segundo Ana Christina, com base no preço fora do País, a prótese poderia custar entre R$ 300 e R$ 700 para as pacientes. Mas, pelo projeto, elas pagam apenas o valor de três consultas para avaliação do caso – cada uma custa R$ 10. “A mama é um símbolo de feminilidade e ter a prótese muda a vida dessas mulheres. É uma alegria.” Cada prótese dura cinco anos.

Ana Christina diz que o objetivo do projeto é continuar beneficiando as pacientes e crescer. “Em um primeiro momento, temos de alcançar um grande número de mulheres e ensinar a técnica para um grande número de profissionais de outras partes do País. Quanto maior a produção, mais pessoas serão beneficiadas.”

'Estava muito fragilizada e me passaram confiança', diz paciente

Uma das dez mulheres que já foram beneficiadas pelo projeto, a terapeuta corporal Tânia Miranda, de 62 anos, conta que ficou impressionada com o resultado da prótese que recebeu. “Tive câncer em 2003 e retirei a mama em 2005. No início, fiz de tudo para colocar uma prótese de silicone, mas não deu certo. Uso uma prótese externa e fiquei maravilhada quando coloquei o bico. Está semelhante.”

A prótese fica presa com uma cola e pode ser retirada sempre que a mulher quiser. “Eu sou muito vaidosa e uso quando vou para eventos ou coloco um vestido mais decotado e fica um igual ao outro. Vou para a praia e fico sossegada, porque a cola é segura”, afirma.

Ela conta que o processo para receber as próteses foi rápido. “Fui à Univap (Universidade do Vale do Paraíba), fiz uma entrevista com a assistente social e, na outra semana, já estava conversando com a médica, que explicou como seria. É um trabalho feito com delicadeza e todos foram muito profissionais. Não queria fazer tatuagem nem colocar enxerto.”

Depois de começar a usar o mamilo de silicone, ela voltou à universidade para agradecer.

“Voltei e até apresentei o meu marido para eles (funcionários). Eu estava muito fragilizada quando fui atendida e eles me passaram confiança. Minha autoestima está melhor e eu estou mais segura.”

Para ter acesso às próteses, a mulher precisa ter feito a reconstrução da mama, por meio de uma prótese de silicone, ou usar uma prótese externa. A técnica não é oferecida para mulheres sem a mama.

Presente. Uma aposentada de 66 anos, que preferiu não ser identificada, conta que não quis passar por procedimentos de reconstrução depois que fez cirurgia para retirar parte da mama direita, em 2008.

“Pela localização do tumor, fiquei sem uma parte da mama e sem a auréola e o mamilo. Fui ao cirurgião plástico e ele falou em fazer uma reconstrução, mas eu estava feliz por ter me livrado do câncer. Não era nada que um bom sutiã não resolvesse”, afirma.

Ao saber das doações das próteses, no entanto, ela resolveu se informar e participar do projeto. A aposentada está usando o mamilo de silicone desde abril deste ano.

“Fizeram o mamilo e ficou muito bem copiado. Eles viram a coloração e todos os detalhes. Fica harmonioso. Não me fazia tanta falta, mas agora estou muito feliz com esse presente da ciência”, diz ela.

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