Manari evoluiu nos indicadores de renda e longevidade

Assim como na educação, o IDH de Manari evoluiu também nos outros indicadores que o compõem: renda e longevidade. Como acontece em muitos outros lugares no interior do Brasil, a renda foi impulsionada pela aposentadoria e pelo Bolsa Família. Três anos de seca devastaram o feijão, principal produto, assim como o milho e a criação de gado e de cabras. Só voltou a chover agora em maio, a tempo do plantio do inverno.

Lourival Sant'Anna, enviado especial / Manari, Pernambuco, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2013 | 19h28

José Abílio da Silva, de 63 anos, conta que ganhava R$ 4 de diária pelo trabalho na roça. Quando ele e a mulher, Maria Zelinda, de 61, aposentaram-se, há 3 e há 6 anos, respectivamente, com um salário mínimo cada, a renda do casal se multiplicou mais de dez vezes. Eles fizeram até um empréstimo consignado de R$ 4.500 e construíram duas casas, uma para o casal e outra para a filha casada.

Há um boom de construção civil em Manari, impulsionado não só pelo crédito aos aposentados, mas também por obras da Cohab, que está concluindo 47 casas e vai erguer outras 100.

"A valência minha foi a Bolsa Família, se não eu tinha passado fome", afirma Eliana Rodrigues, de 26 anos, mãe de três filhos, que mora no Sítio Minador, zona rural de Manari. "Não tenho outro ganho. A seca veio pesada." Dos 18 mil moradores, 7.400 são beneficiados pelo Bolsa Família. Há dez anos, eram entre 400 e 500. A prefeitura complementa a renda de 600 famílias com o programa Viver Melhor, uma bolsa de R$ 150, que também exige frequência na escola e vacinação.

Outra "bondade" importante, apontam Eliana e muitos outros manarienses, é o programa federal que instala calhas e cisternas nas casas, para coletar e armazenar a água da chuva. "Se não fosse a cisterna, estava morrendo de sede." Antes, era preciso pagar de R$ 100 a R$ 120 por um caminhão-pipa, quando os açudes secavam. Isso, na zona rural.

Na sede do município, a Copesa está instalando água encanada. Uma rede de saneamento está sendo construída com verbas do PAC, que deverá coletar 100% do esgoto na sede do município. "Isso não entrou no IDH, porque começou em 2011", observa Lucas Freire, secretário de Finanças.

A agricultura e o comércio locais foram impulsionados também pela pavimentação da estrada estadual que liga Manari a outros municípios da região. O trajeto de 26 km até Itaíba, a cidade mais próxima, levava 1h30 pela estrada de terra; agora, faz-se em 20 minutos.

"Quando cheguei, Manari parecia um sítio", lembra Mariluce Martins, secretária de Assistência Social, que veio de Itaíba em 2006. "Era deserto. Não tinha supermercado. O comércio se organizou." Entre 2000 e 2010, a economia do município cresceu, em média, 3,38% ao ano; esse índice foi de 1,07% em Pernambuco e de 1,18% no Brasil. Nesse período, a população cresceu 38%, de 13 mil para 18 mil.

Consequentemente, as transferências de receitas federais e estaduais para o município, calculadas com base na população, aumentaram de R$ 544 mil, na média mensal de 2000, para R$ 1,575 milhão, em 2010, em valores corrigidos pelo IPCA, o que representa aumento de 189%.

Embora Manari e região sejam reduto do PSDB, que esteve na oposição em relação ao governo federal nos últimos 10 anos, a cidade tem tido bastante êxito em atrair recursos, tanto estaduais quanto federais. A explicação para isso está, ao menos em parte, na coesão política de quatro municípios da região, administrados todos por irmãos e filhos da família Martins, que conta ainda com um deputado estadual. A região é reduto também do deputado Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB. Mas os prefeitos têm tido o cuidado de "liberar" os eleitores para votarem em quem quiserem para presidente. Esse pragmatismo tem ajudado. Luiz Inácio Lula da Silva, cuja cidade natal, Guaranhuns, fica a 150 km, é um ídolo na região. Sua foto, com a faixa presidencial, ainda está na parede da secretaria da escola estadual de Manari. L.S.

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