Manchester pôs R$ 400 mil na campanha de Eunício

Segundo dados registrados no TSE, foram R$ 200 mil por meio de um cheque, no dia 2 de setembro, e R$ 200 mil, em dinheiro vivo, 20 dias depois

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2011 | 00h00

A Manchester Serviços Ltda., que tem o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) como sócio, doou oficialmente R$ 400 mil para a campanha dele ao Senado em 2010, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram R$ 200 mil por meio de um cheque, no dia 2 de setembro, e R$ 200 mil, em dinheiro vivo, 20 dias depois. Naquele período, vigorava um contrato de 43 dias - entre 13 de agosto e 24 de setembro - no valor de R$ 4,3 milhões da empresa com a Petrobrás.

Mais uma vez, o contrato foi assinado por meio de "dispensa de licitação", segundo documentos da própria estatal. O contrato tem o número "4600315823".

Eunício é sócio ainda da Confere Comércio e Serviços de Alimentos, que doou R$ 160 mil para a campanha dele ao Senado e R$ 240 mil para o comitê regional do PSB no Ceará. Ano passado, a Confere faturou R$ 5,7 milhões com o governo federal, cinco vezes mais que nos dois anos anteriores. Já foram R$ 2,7 milhões pagos em 2011 por contratos com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o Ministério dos Transportes e a Fundação da Universidade de Brasília.

O peemedebista recebeu R$ 500 mil do comitê cearense que cuidou da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República no Estado. A campanha de Eunício declarou uma despesa de R$ 7,7 milhões para ele ser eleito senador com 36% dos votos. Ele declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 36,7 milhões.

Eunício é ainda dono da Confederal Vigilância e Transporte de Valores, que tem contratos com órgãos públicos. A empresa recebeu R$ 14 milhões do governo federal em 2010. Desde janeiro, foram pagos R$ 4 milhões por contratos com a Funasa e o Ministério da Agricultura, cujo comando é do PMDB.

A Confederal gastou oficialmente R$ 728 mil para ajudar a campanha de seu dono ao Senado e de candidatos cearenses a deputados estadual e federal pelo PMDB, PTB e PSL. O senador pôs ainda na campanha dele dinheiro oriundo de sua conta pessoal, R$ 950 mil, entre 26 de julho e 27 de setembro do ano passado, por meio de cheque e transferência eletrônica.

Assim como na Manchester, Eunício alega que está afastado da administração da Confederal, embora seja dono de 98% dela.

Um sobrinho dele, Ricardo Augusto, é quem cuida dos negócios da empresa de vigilância. A Confederal foi personagem em 2004 de uma investigação da Polícia Federal que desmontou um esquema de fraudes em licitações no Tribunal de Contas da União. Na época, o diretor comercial da empresa foi preso.

Mensalão do DEM. A Confederal aparece ainda nos documentos de investigação do esquema de corrupção no Distrito Federal, conhecido como "mensalão do DEM". A empresa, segundo os papéis, participaria de um esquema de divisão de contratos de vigilância no governo do Distrito Federal, um mercado que move mais de R$ 200 milhões por ano.

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