Mangueira tenta superar a crise com a força do samba

Tradicional escola verde e rosa entrou na avenida com falhas em alegoria; neto de Jamelão puxou o samba

Clarissa Thomé, Mônica Aquino e Roberta Pennafort, estadao.com.br e O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2009 | 05h08

Depois de um ano complicado, a Mangueira apostou na força do samba para superar os problemas. A escola enfrentou falta de dinheiro e atraso na preparação das alegorias e fantasias. Com o enredo A Mangueira traz os Brasis do Brasil, mostrando a formação do povo brasileiro, a tradicional escola verde e rosa fez um samba forte com o refrão É sangue, é suor, religião/ Mistura de raças num só coração/ Um elo de amor à minha bandeira/ Canta a Estação Primeira.   Veja Também:   Fotos do desfile da Mangueira  Você é o jurado: avalie o desempenho das escolas   Blog: dicas para quem quer curtir e para quem quer fugir da folia Especial: mapa das escolas e os sambas do Rio e de SP    Saiba como chegar ao sambódromo        Depois do desfile, a presidente da Mangueira, Eny Gonçalves da Silva, a Cininha, disse que este foi um carnaval muito difícil de ser feito por conta da crise econômica e da falta de patrocínio. Mas ainda assim admitiu que foi melhor do que o ano passado, quando a escola viu seu nome ligado a investigações sobre o tráfico de drogas. "Desta vez a gente não tinha dinheiro, mas teve tranquilidade para trabalhar", disse Cininha, cujo mandato termina em abril. Ela também afirmou que não irá se candidatar novamente ao cargo.     Bateria fez várias paradinhas durante o desfile e deve contar pontos. Foto: Marcos D'Paula/AE   A presidente disse que não sabe se o carnavalesco Roberto Szaniecki continuará na escola. Ele não acompanhou o desfile da agremiação. "Por causa desta história de terminar os carros em cima da hora, acho que não conseguiu chegar a tempo. Ele estava no barracão. Mas a permanência dele ou não é uma questão para a próxima diretoria".   Raí ajudou a empurrar o carro abre-alas e mostrou amor à escola verde e rosa. Foto: Marcos D'Paula/AE    O samba foi inspirado na obra O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro. No período pré-carnavalesco, houve um mutirão no barracão para que tudo estivesse pronto a tempo, com a presença, inclusive, de trabalhadores de outras agremiações. O espírito guerreiro foi simbolizado pelo ex-jogador Raí, um dos empurradores do carro abre-alas.   A bateria da escola verde e rosa fez várias paradinhas durante o desfile. A bateria do mestre Taranta deu um show e encantou a Sapucaí. Vestido com uma camisa listada de verde e rosa, o governador do Rio, Sérgio Cabral, incentivou os ritmistas durante o recuo da bateria.   "A Mangueira sempre se superou nos momentos difíceis e hoje não vai ser diferente", disse um dos intérpretes de seu samba, que agradeceu o apoio dos seguidores da escola e chamou ao microfone a presidente, Chininha, filha de Dona Neuma, baluarte mangueirense já falecida. Chininha lembrou o aniversário de 25 anos de sambódromo, oficialmente chamado Passarela Professor Darcy Ribeiro.   Conhecida pelo acabamento perfeito, desta vez a escola não conseguiu terminar as alegorias para o desfile. Havia carros com remendos aparentes e partes com a pintura não concluída. No entanto, a força do samba e da bateria devem ajudar a escola a superar problemas nas alegorias.   O sambista Jamelão Neto, neto de Jamelão e estreante como um dos intérpretes do samba da Mangueira, ficou emocionado e tenso com a responsabilidade que o espera. "Ainda não caiu a ficha", contou, antes de ir para a concentração da verde e rosa. "A gente está segurando ao máximo (a emoção). Até quando eu fui sair de casa, na hora de me despedir, bateu. Minha avó (dona Didi, de 82 anos, viúva de Jamelão), falou: ‘Vai lá e faz o dever de casa.’"   Jamelão morreu no ano passado, aos 94 anos. Ele foi o intérprete da Mangueira por mais de 50 anos e seu presidente de honra. Jamelão Neto tem um projeto de recuperação do acervo guardado pelo avô (discos, fotografias, documentos) durante toda sua carreira. O rapaz se apresentou com a Velha Guarda da Mangueira e puxou o samba junto com outros cinco intérpretes.   O mestre da bateria da Mangueira Taranta comandará os ritmistas de uma cadeira de rodas. Ele teve os cinco dedos do pé direito amputados por conta da diabetes. Antes de entrar na avenida, ele foi surpreendido com uma muleta toda enfeitada de dourado para auxiliá-lo enquanto estiver de pé. Taranto está a frente da bateria há 37 anos.

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