Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Mangueira terceiriza homenagem a Jamelão

Por falta de patrocínio, Mangueira pediu que homenagem seja feita por escola de samba 'afilhada'

Fábio Grellet,

14 de janeiro de 2013 | 18h53

RIO DE JANEIRO - Morto em 2008, o cantor Jamelão completaria 100 anos em 12 de maio próximo. Intérprete dos sambas-enredo da Estação Primeira de Mangueira durante 58 anos (de 1949 a 2006) e presidente de honra da escola por nove anos (de 1999 até sua morte), Jamelão ajudou a fazer da Mangueira uma das escolas de samba mais populares do Rio. Nada mais justo, portanto, que a Verde e Rosa dedicasse a ele o enredo do Carnaval deste ano. Mas, sem dinheiro para bancar um enredo sem patrocínio, a escola fundada por Cartola optou por levar ao sambódromo a história de Cuiabá.

Para ser tema da Mangueira, em julho do ano passado a prefeitura da capital do Estado do Mato Grosso prometeu R$ 5 milhões à escola, segundo integrantes da gestão encerrada em dezembro. Nem a prefeitura nem a Mangueira confirmaram quanto foi pago até agora.

Para que o centenário de Jamelão não passasse em branco, o presidente da Mangueira, Ivo Meirelles, propôs a uma escola afilhada que adotasse o enredo. Assim, a Unidos do Jacarezinho, que em 2012 venceu a quarta divisão do Carnaval carioca e acabou alçada à segunda divisão (porque a terceira e a segunda foram fundidas num mesmo grupo, a Série Ouro, com 19 agremiações), vai abrir o desfile de 8 de fevereiro na Sapucaí com o enredo "Puxador, não. Intérprete!".

"Vínhamos de três enredos não patrocinados (sobre música brasileira, os 100 anos de nascimento de Nelson Cavaquinho e os 50 anos do bloco carnavalesco Cacique de Ramos) e um quarto seria completo suicídio. Nós, a Mangueira, foi quem sugeriu à Unidos do Jacarezinho desenvolver o enredo ''Jamelão''. Inclusive o título do enredo é nosso e estamos dando todo o auxílio possível para o Jacarezinho fazer um bom desfile", declarou em seu blog o presidente da Mangueira, Ivo Meirelles. O título do enredo é uma referência ao fato de Jamelão não admitir ser chamado de puxador de samba-enredo. "Puxador é quem rouba carros ou usa droga. Eu sou intérprete", repetia.

Proposta

A Unidos do Jacarezinho planejava reeditar o enredo "Jacarezinho é... Etnias na Sapucaí", com o qual venceu a terceira divisão em 1998. Mas então surgiu a proposta da escola madrinha. "Tinha gente na Mangueira defendendo (um enredo sobre) Jamelão, mas aí surgiu a possibilidade de a Mangueira ter um enredo patrocinado, e o Ivo (Meireles) nos ofereceu a homenagem a Jamelão", afirma o presidente da Unidos do Jacarezinho, José Roberto Hilário da Silva. "Dinheiro ainda não veio, mas a Mangueira nos cedeu o barracão para trabalhar, tubos para as alegorias, iluminação, toda a parte de logística."

A escola está construindo suas alegorias em um barracão vizinho ao sambódromo, usado pela Verde e Rosa até a inauguração da Cidade do Samba, em 2006. Sediada em um bairro conhecido por abrigar uma das cracolândias do Rio, a Jacarezinho planejava gastar R$ 850 mil no enredo sobre Jamelão. "Seriam R$ 500 mil da prefeitura (do Rio) e R$ 350 mil de receitas diversas, como os direitos de transmissão e a venda de ingressos", diz José Roberto. "Mas a prefeitura reduziu a verba, e agora vai dar só R$ 350 mil. Estamos refazendo as contas."

Madrinha

O carnavalesco, Marcus Ferreira, e a madrinha da bateria, Gracyanne Barbosa (que é rainha da bateria da Mangueira), também chegaram ao Jacarezinho por intermédio da Verde e Rosa. "O Ivo (Meirelles) me consultou, eu gostei do clima da escola e assumi o enredo", conta o carnavalesco, que em 2012 trabalhou para a Estácio de Sá produzindo o enredo em homenagem à ex-modelo Luma de Oliveira. "Naquele desfile nem tudo deu certo, mas era uma coisa bem diferente", diz Marcus. "Vamos contar a vida de Jamelão pelas músicas que ele imortalizou, será como um programa de rádio."

Para que a Jacarezinho concedesse o posto de madrinha à sua mulher, Gracyanne Barbosa, o cantor Belo se comprometeu a fazer um show de graça na escola, diz José Roberto. "Imaginávamos que iria render bastante, mas a receita não foi grande coisa. O show foi em dezembro, pouco antes do Natal, e acho que o pessoal estava com o dinheiro curto. Espero convencê-lo a fazer outro show antes do carnaval", afirma o presidente da Jacarezinho.

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