Maníaco confessa 3 mortes em Guarulhos

Em depoimento, no entanto, sob efeito do crack, admitiu 50 crimes

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

28 Agosto 2008 | 00h00

Leandro Basílio Rodrigues, o maníaco confesso que estuprava, roubava e matava mulheres em Guarulhos, na Grande São Paulo, está preso. A polícia ainda não sabe ao certo quantas vítimas o acusado, de 19 anos, fez. Ao chegar à delegacia, ainda sob efeito de crack, ele contou 50. Depois, admitiu apenas dois estupros e ter assassinado outras duas vítimas. Mais tarde, Rodrigues acrescentou uma terceira, também estuprada e morta. "Precisamos averiguar todas essas informações", afirmou o delegado Jurandyr Correa Sant?Anna, titular da Delegacia Seccional de Guarulhos. A investigação que levou à prisão do maníaco nasceu do hábito do delegado de acompanhar com atenção todos os casos de violência sexual e homicídios na região. É que Jurandyr era o diretor da Divisão de Homicídios em 1998 quando o motoboy Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, foi descoberto. Nos dias 17 e 21 de agosto, o delegado percebeu o registro de dois boletins de estupro no 2º DP de Guarulhos. A descrição do estuprador era semelhante. Ambas as vítimas diziam que o bandido era um homem negro, jovem, com cerca de 1,80 metro de altura, tinha tatuagem e cabelos raspados. Em um dos casos, o criminoso vestia bermuda e chinelos. "Ou se tratava de um andarilho ou de algum morador do local", afirmou Jurandyr. O delegado encaminhou os casos à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). No dia 26, a delegacia foi informada do assassinato de Aline, de 21 anos, ocorrido na Rua Victor Costa, a cerca de 300 metros de onde a segunda vítima de estupro havia sido atacada no dia 21. A polícia foi ao local e encontrou uma testemunha que disse ter visto o rapaz em companhia da moça. A testemunha contou que o criminoso devia morar numa favela entre os bairros Paraventi e Bom Clímaco. Foi lá que as investigadoras identificaram o suspeito. "A mãe do Leandro (Ana Lúcia Rodrigues da Silva) contou que o filho havia sido expulso pelos moradores da favela porque ele era suspeito de estuprar e matar uma moça", disse a delegada Beatriz Relva, titular da DDM. É que os moradores da favela haviam visto Rodrigues passeando com a moça que apareceu morta mais tarde. As investigadoras apanharam uma foto de Leandro e continuaram rondando o bairro. Entregaram cópias da foto aos policiais militares da 4ª Companhia do 15º Batalhão. Eram 2h30 de ontem, quando o soldado Cosme Silva Ferreira Brandão, de 33 anos, viu passar diante da base da companhia um homem idêntico à foto do suspeito que ele recebera horas antes. Os PMs detiveram o suspeito, que, de imediato, confessou ser o maníaco. Visivelmente sob efeito de crack - os policiais apreenderam com Rodrigues um cachimbo usado para consumir a droga -, o rapaz contou ter mais de 50 vítimas. Na DDM, no entanto, confessou os dois estupros - e foi reconhecido pelas vítimas, todas jovens - e o homicídio do dia 26. Pouco antes de terminar o interrogatório, Rodrigues disse que "gostaria de contar uma outra coisa" à delegada: "Já que eu estou contando tudo, é que tem mais um corpo no Thomeuzão." Os policiais não acreditaram muito, mas foram averiguar a informação. No estacionamento do Ginásio Municipal de Esportes Pascoal Thomeu, encontraram o corpo de Gisele, de 26 anos. Ela estava com as calças abaixadas, como Rodrigues havia contado que a havia deixado. Ao lado do corpo, outro cachimbo de crack.

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