Maníaco do parque é condenado a 16 anos de prisão

O motoboy Francisco de Assis Pereira, 33 anos, o maníaco do parque, foi condenado na noite desta sexta-feira, por sete votos a zero, a 16 anos de prisão pelo assassinato da comerciária Rosa Alves Neta, de 21 anos.A advogada do motoboy, Maria Elisa Munhol, vai recorrer da decisão. O crime ocorreu em maio de 1998, no Parque do Estado, na zona sul de São Paulo.Essa foi a primeira condenação por homicídio que a Justiça impôs ao motoboy. Ela se soma a outra, de 107 anos de cadeia, a qual o maníaco recebeu no ano passado por causa do roubo, estupro e atentados violentos ao pudor que ele cometeu contra as vítimas sobreviventes de seus crimes. O jurados acolheram todas as teses da acusação e consideraram, por cinco votos a dois, que o maníaco deve ser julgado como se fosse uma pessoa normal, pois tinha plena consciência de seus atos. Além disso, eles decidiram por sete votos a zero que Pereira agiu por motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, qualificando triplamente o assassinato. Além disso, o júri também condenou o maníaco pela ocultação do cadáver.O maníaco havia confessado o crime durante o seu interrogatório no 1º Ttribunal do Júri, dizendo que havia agido sob o domínio de uma "força malígna". "A única força que o fazia matar era a de seus braços ao estrangular as mulheres", afirmou o promotor Edilson Mongenout Bonfim durante os debates. "Esse é o louco mais esperto do mundo: para estuprar, ele usa camisinha."Bonfim disse ainda que o motoboy era um "galã do Brás que levava as moças na conversa" e nunca teve piedade de suas vítimas. "Ele as matava porque não conseguia ter prazer."A defesa defendia a tese de que o acusado não tinha como controlar a sua vontade, embora tivesse consciência de que praticava um crime. Pereira, segundo a advogada Maria Elisa, é portador de transtorno anti-social de personalidade. Ela queria que o maníaco fosse considerado semi-imputável. Caso isso ocorresse, o juiz Luis Fernando Camargo de Barros Vidal teria duas opções: ou determinava a internação de Pereira em um hospital psiquiátrico ou o condenava à prisão. Se escolhesse essa segunda alternativa, teria, necessariamente, de reduzir-lhe a pena, pois a constatação do problema mental é atenuante a favor do réu. "Ninguém quer que ele vá para a rua, mas é preciso pôr parâmetros justos na condenação", disse a advogada.Pereira responde ainda a outros sete processos de homicídio - em dois outros casos, a acusação contra ele foi arquivada. No dia 20, ele enfrentará o próximo júri. Desta vez, responderá pelo assassinato e ocultação de cadáver da estudante Isadora Fraenkel, também assassinada em 1998. O maníaco também confessou esse crime, além de levar a polícia até o local onde havia deixado o cadáver.

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