Manifestação contra a Copa em Fortaleza termina com 30 detidos

Minutos antes da partida entre Brasil e México, houve confronto. Um ônibus de apoio da Fifa foi atingido por pedradas

Carmen Pompeu, Especial para O Estado

17 de junho de 2014 | 18h32

FORTALEZA - A manifestação contra a Copa em Fortaleza nesta terça-feira, 17, terminou com 30 pessoas detidas, sendo 11 adolescentes e 19 adulto, de acordo com a Secretaria de Segurança e Defesa Social do Ceará. O protesto aconteceu antes da partida entre Brasil e México. O movimento "Na Rua", um dos organizadores do ato, informou que 40 pessoas foram presas.

Por volta das 15h30, houve confronto entre manifestantes e policiais. Um ônibus de apoio da Fifa foi atingido por pedradas. Cerca de 300 manifestantes chegaram a bloquear a Avenida Alberto Craveiro e a passagem de torcedores para a Arena Castelão foi impedida por alguns momentos.

Para dispersar o grupo, foram lançadas bombas de gás e balas de borracha e o Caminhão de Controle de Distúrbios Civis foi usado. O veículo foi repassado pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça (Sesge/MJ).

Entre os que protestavam, havia grupos diversos. Alguns estavam caracterizados de índios e pediam "Remarcação Já". Outros, vestidos de preto, pediam o fim do capitalismo. E havia ainda os que reclamavam das remoções feitas para a construção das obras de mobilidade.

A concentração aconteceu na BR-116, em frente ao Makro. Ao longo da caminhada até a barreira policial montada próximo ao Castelão, alguns manifestantes vaiavam torcedores brasileiros e faziam festa para a torcida mexicana.

Um jovem de 20 anos que se identificou apenas como técnico em enfermagem disse que foi abordado aleatoriamente por policiais. "Eles simplesmente me pararam, revistaram e pronto. Disseram: bora, bora, abre as pernas e encosta aí", relatou.

A primeira ação do grupo aconteceu pela manhã, quando foi bloqueada a Avenida Expressa. Organizados pelo Movimento dos Conselhos Populares (MCP), 200 pessoas fecharam a avenida no sentido Avenida da Abolição.

Entre os manifestantes, estavam moradores de comunidades atingidas pelas obras da Copa, como a Alto da Paz e Raiz da Praia. Foram montadas barricadas com pneus e erguidas faixas com frases de protesto que diziam "Chega de remoção. Queremos moradia" e "Quem é rico mora na praia. Mas quem é pobre também pode morar".

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