Manifestação faz coronel a crer na absolvição

Bandeiras, faixas e um carro de som além de 40 pessoas de uma organização chamada Movimento de Resistência ao Crime fizeram um ato em frente ao Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Todos pediam a absolvição do coronel Ubiratan Guimarães, acusado de 111 mortes e 5 tentativas de homicídio no Pavilhão 9 da Casa de Detenção. Como resposta, o coronel escreveu um bilhete aos manifestantes e amigos dizendo que a protesto o fazia acreditar na absolvição. A maioria dos manifestantes era formada por policiais militares da ativa e da reserva ou por pessoas ligadas a essas entidades. Também haviam parentes de vítimas de crimes e dois deputados estaduais, ambos policiais da reserva: o capitão Conte Lopes (PPB) e o cabo Wilson de Morais, presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar."O coronel agiu no estrito cumprimento do dever legal, afirmou a advogada Liliana Prinzivalli. Ela afirmou que o movimento defende cinco propostas de alteração da legislação penal e da Constituição para combater o crime. São elas: a instituição da pena de prisão perpétua, o agravamento da condenação para quem comete um crime violento contra policial, a diminuição da idade de responsabilidade penal de 18 para 14 anos e o fim das penas alternativas à prisão. Além disso, o grupo defende que todos os cidadãos tenham o direito de andar armados. No carro de som, quem chefiava a manifestação era o capitão SérgioOlímpio Gomes. Amigo do coronel, o capitão é um dos autores de um livro que ensina técnicas de defesa contra roubos e aconselha à população reagir contra a criminalidade. Embaixo do caminhão de som estava o empresário Masataka Ota, de 45 anos, pai do menino Yves Ota, de 8, assassinado por dois policiais militares e um motoboy que o haviam seqüestrado em 1997. "O coronel Ubiratan não pode levar a culpa porque estava defendendo a sociedade."Para a médica Rosemary Ramos Ribeiro, mãe de Danilo, de 17,assassinado no ano passado com mais dois amigos em um roubo emMongaguá, o julgamento do coronel Ubiratan é uma "boa oportunidade para mostrar que somos contra esses direitos humanos para bandidos".Alguns dos manifestantes foram ao plenário assistir aos depoimentos de hoje. O deputado estadual Conte Lopes sentou na primeira fila para assistir aos depoimentos. Ele trabalhou três anos com o coronel nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). "Ele não mandou ninguém matar. Espero que se faça Justiça", disse o deputado.O coronel também recebeu a solidariedade de um ex-presidente dotribunal de Justiça Militar (TJM), o coronel Antônio Neves. Aos amigos e manifestantes, o coronel enviou um bilhete de agradecimento. "Numa hora difícil, os verdadeiros amigos e as pessoas de bem que acreditam na Justiça e na nossa luta, fazem-me acreditar que a absolvição é certa."

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