Manifestantes anti e pró Fidel enfrentam-se em SP

Cubanos e brasileiros, pró e anti regime de Fidel Castro, trocaram agressões, ontem, durante atos ocorridos em frente ao Consulado Cubano, no bairro das Perdizes, zona oeste de São Paulo. De um lado da rua Cardoso de Almeida, um grupo de cerca de 80 pessoas, entre cubanos e brasileiros, gritavam bordões como "Viva Fidel e a Revolução", e ostentavam faixas com inscrições como "Liberdade para os Cinco Prisioneiros Políticos do Império" - numa referência aos cubanos detidos nos Estados Unidos. O grupo tinha, ainda, o apoio de um carro de som, onde se revezavam oradores com discursos em que listavam os benefícios que a população pobre de Cuba adquiriu com a Revolução de Fidel. Do outro lado da Cardoso, um grupo menor, de cerca de 20 pessoas, estendia faixas pedindo democracia na ilha e o fim do regime de Castro. Uma delas dizia: "Liberdade Já para os Presos de Consciência em Cuba". Os anti-castristas pediam também a liberdade de cerca de 75 intelectuais cubanos, detidos e condenados recentemente por, supostamente, conspirar contra o regime. Ambos os grupos ostentavam a bandeira de Cuba. Troca de xingamentosOs ânimos de acirraram quando o caminhão de som tentou se colocar em frente ao grupo de anti-castristas. Nesse momento, os manifestantes dos dois lados começaram a trocar xingamentos (em espanhol e em português) e empurrões, em plena Cardoso de Almeida. A rua chegou a ser interditada por alguns segundos e os dois únicos policiais militares que acompanhavam o ato tentaram intervir para acalmar os manifestantes. Pouco depois, os manifestantes se afastaram e continuaram seus atos, cada um de lado da rua. "Estamos aqui para apoiar as conquistas da Revolução e pedir a libertação dos cinco patriotas dos Estados Unidos", disse Sergio Fernandez, de 32 anos, natural de Santiago de Cuba e que há seis anos vive no Brasil. Sobre os opositores de Fidel, Sergio ainda disse: "Eles só estão pensando neles. Se terminar a Revolução em Cuba, os pobres não terão acesso à educação e à saúde como têm hoje", disse. "Essa turma parece ser a favor da ditadura de Fidel", rebatia o cubano naturalizado, Raul Gonzalez Simon, de 67 anos. "Setenta e cinco presos e condenados unicamente pelo fato de terem escrito o que acontece em Cuba."Os anti-castristas encenaram, ainda, uma miniprocissão, segurando uma placa com velas acesas, representando os presos cubanos. Segundo cubanos dos dois lados, essa foi a primeira vez, nos últimos anos, que os pró e os anti-Fidel se encontram em protestos como os de ontem. Os ex-castristas deixaram a Cardoso por volta das 12h30, após quase uma hora e meia de manifestação. Do outro lado da rua, defensores do regime ainda permaneciam a posto. A maioria deles era formada por jovens brasileiros com bandeiras e faixas.

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