Manifestantes desocupam Câmara do Recife

Grupo reivindica a criação de uma CPI para investigar o sistema de transporte público

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2013 | 13h05

RECIFE - A Câmara Municipal do Recife, na área central da cidade, foi desocupada por volta das três horas da madrugada desta sexta-feira, 9, dez horas depois de ter sido ocupada por cerca de 70 integrantes da Frente de Luta pelo Transporte Público (FLTP). Eles lutam pelo passe livre para estudantes e desempregados e querem a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o sistema de transporte público da capital. Não houve depredação e a saída dos manifestantes foi pacífica.

Pedro Josephi, da FLTP - versão local do Movimento Passe Livre -, avaliou a ocupação como positiva. Eles conseguiram o compromisso, do presidente da Câmara, Vicente André Gomes (PSB), da votação, em plenário, na próxima terça-feira, para decidir a criação da CPI, uma audiência com o prefeito Geraldo Júlio (PSB) e a promessa de votação do projeto da lei do passe livre em um prazo de 45 dias.

A demora nas negociações se deveu à exigência inicial de que 13 vereadores assinassem, naquele momento, o pedido de abertura da CPI, garantindo, assim, a instalação da comissão. Diante do impasse, cederam.

Os manifestantes entraram na Câmara para acompanhar uma plenária sobre transporte público, requerida pelo vereador Raul Jungmann (PPS). Ao final, por volta das 17h30, foram colocadas faixas dos movimentos nas janelas do prédio, indicando a ocupação.

Parte deles - muitos deles mascarados - foi impedida de entrar na Câmara pela guarda municipal. A reação foi interditar o trânsito ateando fogo a lixo e pneus na rua. A Polícia Militar usou balas de borracha para liberar o tráfego e duas pessoas foram presas, mas logo liberadas.

"A ocupação foi uma estratégia que seguiu a tendência de movimentos em outros Estados brasileiros", afirmou Josephi. "Foi o estopim de uma luta antiga."

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