Manifestantes organizam protesto em visita de Lula

O grupo Bring S. Home (Traga S. para Casa) pretende reunir 200 pessoas em Washington para protestar na frente da Casa Branca, durante o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente americano, Barack Obama, no sábado. "Queremos passar um recado para os dois presidentes: o caso S. não vai sumir, não vamos descansar enquanto S. não estiver dentro do avião rumo aos Estados Unidos", diz Mark De Angelis, organizador do protesto. Foram fretados três ônibus para levar manifestantes de New Jersey e Nova York até Washington. O congressista Chris Smith, de New Jersey, vai participar do protesto em defesa do americano David Goldman, que luta há mais de quatro anos pela devolução de seu filho, S., de 8 anos.David casou-se com a brasileira Bruna Bianchi Ribeiro em 1999 e em 2000 nasceu o filho deles, nos EUA. Quatro anos depois, Bruna levou o filho para o Brasil e pediu o divórcio. No Brasil, ela entrou na Justiça pedindo a guarda do filho. Bruna se casou de novo em 2007 com o advogado João Paulo Lins e Silva. Ela morreu em agosto de 2008, em decorrência de complicações no parto da filha do casal. Mas S. continua no Brasil, com o padrasto, que se recusa a devolvê-lo ao pai. O padrasto conseguiu a guarda da criança na Justiça brasileira.A batalha de Goldman para recuperar seu filho ganhou repercussão nos EUA e se transformou em saia-justa diplomática para o Brasil. Ao se reunir com o ministro Celso Amorim, há duas semanas, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, falou do caso Goldman, demonstrando o peso que a Casa Branca dá ao assunto. O Brasil já foi citado três vezes pelo Departamento de Estado como um dos países que cumpre apenas parcialmente a Convenção de Haia para sequestro internacional de crianças. Neste ano, será citado de novo."O governo brasileiro precisa cumprir suas obrigações e mandar S. de volta para seu pai. S. é uma dos 60 crianças americanas retidas ilegalmente no Brasil. Chegou a hora de acabar com essa grave injustiça", diz o folheto distribuído pelo grupo.

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2009 | 00h00

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