Manifestantes pedem liberação da maconha no Rio

Cerca de 200 pessoas, entre manifestantes e curiosos, foram hoje à tarde à Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, na zona sul, participar da passeata pela liberação da maconha. A maior parte era composta de jovens, que estavam trajados a caráter: muita saia indiana, cabelos rastafari, jeans rasgados e camisetas com a foto de Bob Marley ou desenho estilizado da folha da maconha.O assessor da Chefia de Polícia Civil, delegado Pedro Paulo Pinho, informou que toda a manifestação foi filmada, e que as pessoas que apareceram com camisetas desenhadas com a folha da erva, placas e cartazes serão chamadas para depor. Elas podem ser indiciadas por apologia às drogas.Mais cedo, por volta de meio-dia, houve uma manifestação contra a liberação das drogas, promovida pelo cirurgião plástico Wagner de Morais, cuja filha Michele foi assassinada há três anos por drogados. O público nem de longe prestigiou o ato contra as drogas, como aconteceu horas depois a favor da maconha. "Muita gente é contra, mas se acomoda e só quando passa por uma tragédia como eu resolve tomar uma atitude", disse Morais.O psicoterapeuta José Luiz Guanabara disse ser um dos organizadores do movimento e explicou que sua luta é pela liberação apenas da maconha, como já aconteceu em países como a Holanda. "Está provado que quem procura maconha e sabe onde encontrá-la, não parte para outras drogas. E nós sabemos que nem todas podem ser liberadas, ao menos por enquanto", disse Guanabara. O psicoterapeuta era uma das poucas pessoas que tinham mais de 40 anos, assim como o poeta Geraldo Carneiro. Por volta das 16h, três policiais militares chegaram, pedindo para esvaziar a praça. Eles foram vaiados pelos manifestantes. Cerca de 20 minutos depois, a PM saiu sem saber de fato quem eram os organizadores da passeata. O comandante do 23º Batalhão, major Mário, disse que não ia reprimir, mas acompanharia de perto toda a manifestação. Até então, o protesto corria sem incidentes.Por volta das 16h30, a passeata saiu pacificamente pela Rua Visconde de Pirajá, a principal via de Ipanema. Quatro carros da PM interromperam o trânsito, mas não houve qualquer tipo de tumulto. Os manifestantes seguiram para o Posto 9 da Praia de Ipanema, local conhecido como "point" da Turma do Apitaço - grupo que utiliza apitos para avisar aos fumantes da maconha que a polícia está nas resdondezas.

Agencia Estado,

04 de maio de 2002 | 17h09

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.