Manifestantes protestam contra desativação de hospital no centro do Rio

Terreno foi cedido pelo governo estadual em 2008 para abrigar novas instalações do INCA, e a permanência dos internados era mantida por meio de uma liminar, suspensa na sexta-feira

Heloisa Aruth Sturm,

15 Julho 2012 | 11h17

A desativação do Hospital Central do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj), no centro da cidade, gerou protesto de funcionários e representantes de organizações de direitos humanos contrários ao fechamento da unidade e à transferência dos pacientes internados.

O terreno foi cedido pelo governo estadual em 2008 para abrigar as novas instalações do Instituto Nacional de Câncer, e a permanência dos internados no hospital estava sendo mantida por meio de uma liminar, que foi suspensa na última sexta-feira.

Na madrugada de domingo, os pacientes começaram a ser removidos para outras unidades de saúde. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, as transferências envolveram uma equipe de mais de 40 profissionais, entre médicos, enfermeiros, assistentes sociais, equipe de humanização e bombeiros. A operação foi acompanhada também por policiais do Batalhão de Choque.

Uma junta médica analisou o estado clínico de cada paciente para determinar a condição de transferência, mas nenhum médico do Iaserj participou das avaliações. Na manhã de ontem, 31 pacientes já haviam sido transferidos, mas nove permaneciam internados no hospital - um deles sem condições seguras de remoção. Os outros oito são portadores de doenças infectocontagiosas, pacientes do Hospital Estadual São Sebastião, que funciona nas dependências do Iaserj.

Os plantonistas que se encontravam no local demonstraram preocupação na tarde de ontem, já que, por ocasião das transferências, a estrutura hospitalar foi desativada e os serviços de apoio, como o setor de raio-x, a farmácia e o banco de sangue, foram fechados. Embora a Secretaria de Saúde tenha afirmado que todos os familiares dos pacientes internados foram comunicados das transferências, alguns disseram terem sido surpreendidos com a notícia da remoção feita durante a madrugada.

"Vim hoje (ontem) para sair daqui junto com a minha irmã, e ela não está", disse Maria Sandra da Silva, cuja irmã estava internada na UTI do hospital havia dois meses, em coma profundo. Sandra disse que foi avisada no sábado de que a transferência ocorreria a partir do meio-dia de domingo.

Para a assistente social do Iaserj Necilda Santana, "não houve tempo hábil internamente para realizar a comunicação que se espera de um hospital para com as famílias dos pacientes". Em nota, a Secretaria de Saúde afirmou que o aumento da demanda por tratamento de câncer à população e o fato de os servidores estaduais não mais contribuírem para a manutenção do Iaserj desde 1999 foram os motivos que levaram à decisão pela desocupação do hospital. O comunicado citou ainda que os serviços serão prestados em outras unidades e que "a função do Estado é investir os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) na saúde coletiva, e não na exclusiva de grupos de profissionais".

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