Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Manifestantes protestam contra repressão a ativistas no Rio

Grupo é contra a aplicação da Lei de Segurança Nacional em protestos; ato teve princípio de tumulto

Adriano Barcelos e Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2013 | 17h43

Atualizada às 20h05

RIO - Cerca de 600 pessoas se reúnem em frente ao Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), no centro da cidade, em um protesto chamado "Grito pela Liberdade". O grupo é contra a aplicação das leis de Segurança Nacional e do Crime Organizado contra manifestantes.

Houve um princípio de confusão durante a manifestação às 17h55. Policiais militares tentavam fazer uma revista preventiva em um jovem que vestia máscara, mas outros manifestantes intercederam. O desentendimento ocorreu diante da igreja da Candelária. Os PMs chegaram a erguer os cassetetes, mas evitaram agressões e o rapaz foi liberado depois de apresentar a identificação.

A Avenida Presidente Antônio Carlos, onde fica o TJ-RJ, está interditada desde às 16h30. Comerciantes fecham as portas conforme a passeata se aproxima.

O grupo, formado em sua maioria por militantes de partidos políticos e de movimentos sociais, chegou na região da Igreja da Candelária às 19h40, palco dos protestos a favor da greve de professores no Rio.

Os manifestantes cantam marchas de carnaval em que acusam o governador Sergio Cabral de ser ditador. Entre as reivindicações dos manifestantes está a ampliação do debate entre poder público e sociedade.

O grupo reivindica ainda a libertação imediata dos "presos políticos" e o direito amplo à livre manifestação. O ato faz crítica também ao empresário Jacob Barata, dono de empresas de ônibus no Rio.

Alguns manifestantes usam máscaras e faixas pretas cobrindo a boca, como é habitual entre os black blocs. Por enquanto a manifestação é pacífica.

"Estou reencontrando um Brasil democrático", afirmou o professor Miguel Baldez, de 83 anos, que participa do ato.

Artistas. Um dos manifestantes é Luís Henrique Nogueira, que participou do elenco do remake da novela Saramandaia. Ele diz que a ideia é trazer de volta a paz aos protestos. "Não sei de quem parte a violência, mas é importante que todos dialoguem". Perguntado se a classe artística não teria demorado muito a se posicionar, respondeu: "todas as camadas da sociedade foram demorando a entender o que estava acontecendo. É um momento especial".

Outra atriz presente é Teresa Seiblitz, que se posicionou sobre vários temas, incluindo os black blocs. "É uma questão complexa, não tem como avaliar, se black blocs são isso ou aquilo. Não sei. Mas o mais plausível é que seja um jeito de se defender da polícia", concluiu a atriz.

Veja as imagens do protesto no Rio:

(Vídeo: Thaise Constancio/Estadão)

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