Manifesto contra a Aeronáutica no Cindacta-4

Um texto feito pelos controladores de vôo e enviado à reportagem do Estado revela que a crise no Cindacta-4, em Manaus, está longe de acabar. Eles se dizem perseguidos pelo Comando da Aeronáutica e pedem socorro à sociedade. E consideram a prisão do presidente da Associação Amazônica dos Controladores de Tráfego Aéreo, tenente Wilson Alencar, "recheada de irregularidades e arbitrariedades". Wilson Alencar foi detido na quinta-feira por determinação do Comando da Aeronáutica no Amazonas, sob o argumento de ter faltado ao serviço. Na versão apresentada pela Força Aérea Brasileira (FAB), Alencar não justificou o motivo da ausência ao serviço no dia 5 de julho deste ano. Segundo controladores, o tenente faltou ao serviço para acompanhar a mulher em tratamento médico. TRANSFERÊNCIA Mesmo com atestado médico e um termo de acompanhamento da mulher, ele recebeu, em 6 de julho, ficha de avaliação de transgressão disciplinar e foi imediatamente transferido para o 7º Comando Aéreo Regional (7º Comar), em Manaus. Na ocasião, era o sexto controlador afastado do Cindacta-4. Como registram os militares, só em 26 de julho, 21 dias após a falta teoricamente não justificada, e quando já estava no 7º Comar, Alencar soube que ficaria detido por quatro dias. "O regulamento prevê que o detido seja comunicado três dias antes da punição, afim de se preparar", dizem os controladores. "No Cindacta-4 estamos sendo queimados vivos simplesmente por exigir melhores condições de trabalho e maiores coeficientes de segurança", registram. "Está chovendo cadeia em Manaus. Nossos superiores não aprenderam com duas tragédias. Valem-se de hierarquia e disciplina para enforcar aqueles que ousam relatar as inúmeras falhas do sistema."

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