Manobra adia votação para instalar CPI do Lixo

Uma manobra política dos vereadores da oposição adiou a votação para instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Lixo, na Câmara Municipal de São Paulo. Durante a sessão de hoje, uma discussão sobre o encerramento da CPI do Tribunal de Contas do Município (TCM), na segunda-feira, permitiu que os oposicionistas ganhassem mais um dia para tentar aprovar uma comissão que priorize as investigações sobre os contratos emergenciais de lixo firmados pela prefeita Marta Suplicy (PT), no início do ano.A manobra começou a partir de uma requisição do vereador Erasmo Dias (PPB), que integrava a CPI do TCM. Segundo ele, o presidente da Comissão, Gilson Barreto (PSDB), não poderia ter encerrado a CPI sem que o seu voto em separado, contrário à extinção do órgão, também fosse votado pelos demais membros. Na segunda-feira, o pepebista se absteve da votação do relatório final preparado por Vicente Cândido (PT)."O fato de ter votado pela abstenção não significava que meu voto em separado não tivesse de ser votado também", defendeu Dias. O presidente da comissão nega que tenha errado. Segundo ele, ao abster-se da votação do relatório, Dias invalidou o voto em separado. "Eu ainda pedi para que ele confirmasse ou não o seu voto, mas ele abandonou a reunião", lembrou o tucano.Diante do fato, o presidente da Câmara, José Eduardo Martins Cardozo (PT), solicitou a Barreto que apresente na sessão de amanhã um esclarecimento por escrito para que a CPI do TCM seja encerrada oficialmente. "O Regimento Interno me obrigou a adotar esse procedimento", disse Cardozo. Como não pode haver cinco CPIs simultâneas na Casa, a votação para a do Lixo teve de ser adiada por mais um dia.Os vereadores da oposição admitiram que a situação os beneficiou, já que a aprovação do requerimento para CPI do Lixo apresentado por Aldaíza Sposati (PT) era tida como certa. No início da sessão, integrantes da oposição incentivaram Dias a tentar invalidar a votação da CPI do TCM."Ganhamos mais algumas horas", disse o líder do PSDB, Gilberto Natalini. Segundo ele, após o fim da sessão seriam retomadas as conversas individuais com vereadores para tentar diminuir a vantagem governista, que conta com cerca de 30 votos para aprovar a CPI proposta pelo PT. "É um trabalho que aumenta a cada minuto", completou Natalini.Além disso, amanhã a oposição tentará dar preferência de votação ao pedido de CPI elaborado pelo vereador Dalton Silvano (PSDB), em que as investigações serão iniciadas pelos contratos emergenciais da gestão petista. Hoje, o pedido de Silvano foi protocolado depois do requerimento de Aldaíza. "Se conseguirmos dar preferência de votação para a nossa CPI, o PT sofrerá um desgaste político, pois terá de derrubar um pedido de CPI feito pela oposição", explicou Natalini.De acordo com ele, o fato de Aldaíza ter sido secretária das Administrações Regionais durante o governo da ex-prefeita Luiza Erundina (ex-PT, atual PSB), a impede de conduzir as trabalhos. "Ela não pode investigar a si própria", disse Natalini, lembrando que a SAR, atual Secretaria de Implementação das Subprefeituras, era responsável pela fiscalização dos contratos de limpeza.A petista contesta. Segundo ela, nenhum contrato de limpeza foi elaborado durante a gestão Erundina. "O principal objetivo da CPI é investigar a elaboração dos contratos e eu não fiz nenhum durante o período em que fui secretária."Educação - O depoimento do ex-prefeito Celso Pitta (PTN) na CPI da Educação foi adiado para o dia 22. Pitta seria ouvido amanhã pelos vereadores sobre a não-aplicação dos 30% do Orçamento no setor, conforme obriga a lei. Segundo o presidente da CPI, vereador Carlos Giannazzi (PT), o ex-prefeito pediu, por escrito, para que o depoimento fosse adiado.

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