Manobra articulada durante o feriado surpreende Planalto

A operação política que garantiu a construção do chamado superbloco partidário faz parte da estratégia do PMDB de assegurar o controle do território onde sempre deu as cartas: o Congresso Nacional.

Bastidores: Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2010 | 00h00

Mesmo que para isso seja necessário derrotar o PT, seu principal parceiro político na campanha eleitoral.

Na prática, a manobra, que pegou de surpresa o governo federal, foi sacramentada durante o último feriado e representa um recado a presidente eleita, Dilma Rousseff.

A mensagem é que o PMDB foi parceiro decisivo na campanha vitoriosa e espera ser reconhecido com o preenchimento de espaços políticos proporcionais a uma sociedade, o que não vinha sendo sinalizado.

Para garantir que isso ocorra, o PMDB decidiu usar sua maior arma: a força dentro da Câmara e do Senado.

A nova superbancada do recém-criado bloco partidário tem tamanho político para derrotar qualquer proposta de interesse do futuro governo.

Antes de tomar essa decisão, os peemedebistas esperaram por um acordo com Dilma e seus interlocutores. O gesto não veio.

Até então, os peemedebistas precisaram reclamar para que o vice-presidente eleito, Michel Temer, também presidente do partido, fosse apontado como um dos coordenadores do processo de transição ou a legenda ficaria de fora dessas discussões.

O desejo de ampliar o espaço nos ministérios também foi visto como um apetite exagerado pelo novo governo. Para fechar, ouviram do PT a proposta de rodízio no comando da Câmara e do Senado.

Aliado como nunca do PT durante a campanha eleitoral, o partido decidiu agora ser o PMDB de sempre para assegurar seu espaço político.

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