Manobra da defesa adia julgamento de Suzane para julho

O julgamento de Suzane von Richthofen foi suspenso por volta das 16h20, após uma discussão de cerca de duas horas entre seus advogados e o juiz Alberto Anderson Filho. Os defensores da ré pediram que o julgamento fosse adiado, pois consideraram imprescindível a presença de uma testemunha de defesa, ausente do Fórum Criminal da Barra Funda por estar em viagem à Alemanha. Claudia Sorge, a testemunha citada, era amiga próxima de Marísia von Richthofen, assassinada junto com seu marido, Manfred, em 2002. Suzane é ré confessa do crime, junto com os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. A testemunha declararia que Suzane havia se viciado em drogas após começar a namorar Daniel, que a mantinha sob controle.Segundo o advogado Mauro Nacif, um dos membros da equipe de defesa de Suzane, a testemunha era importante pois sabia de conversas que Marísia tivera com a filha sobre o relacionamento com Daniel. "Ela (Suzane) comprava maconha e ecstasy com o dinheiro dela. E a Claudia sabia disso". Claudia também poderia testemunhar sobre o relacionamento de Suzane com os pais. "Esses dois cafajestes, os dois réus, estão alegando que ela participou disso porque o pai a estuprava. Isso é uma mentira horrível. Manfred era um ótimo pai e a Claudia sabe disso".Testemunha secundáriaO promotor Roberto Tardelli argumentou que a testemunha é secundária no caso e já foi ouvida nos autos e que uma cópia de seu depoimento poderia ser disponibilizada para os jurados. A defesa de Suzane não aceitou a proposta. O juiz optou por não adiar o julgamento, alegando que a data era conhecida desde maio e que já se sabia que a testemunha não estaria no Brasil. Diante da negativa, os advogados de Suzane, após chamarem o juiz de intransigente, abandonaram o plenário. "O júri foi adiado porque o juiz foi radical comigo. Não posso admitir, aos 61 anos de idade, que alguém seja radical de comigo", disse Nacif na saída do fórum.O Ministério Público pediu para que a ré fosse, então, encaminhada novamente para a prisão, para aguardar seu novo julgamento, mas o juiz alegou não ser possível revogar uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que concedeu a Suzane o direito à prisão domiciliar. O juiz comentou ainda que o gasto para realizar o plenário como este é enorme e lembrou que o mesmo gasto será despendido novamente.DebocheNa saída do fórum, Tardelli criticou a atitude da defesa, dizendo que os advogados de Suzane montaram um circo. "Os advogados vieram prontos para não fazer o júri. (...) Meu sentimento é de indignação, de revolta. Estou indignado. Não suporto ver o deboche, não suporto esse achincalhe". Sobre a possibilidade de separação do julgamento de Suzane e dos irmãos Cravinhos, Tardelli foi enfático: "Não tem como separar os dois". O julgamento de Suzane foi remarcado para 17 de julho, mesma data do novo júri dos irmãos Cravinhos, também no Fórum Criminal da Barra Funda.Nacif também disse que Suzane está "contentíssima" com a decisão do juiz de adiar o julgamento. A jovem passou o tempo todo em que ficou no plenário de cabeça baixa. Ela chegou a ficar 20 minutos ao lado de Daniel, seu ex-namorado, para quem não dirigiu o olhar. Na ordem, estavam sentados, da esquerda para a direita, Cristian, Daniel e Suzane. Depois, os Cravinhos se retiraram do plenário, após o adiamento de seu julgamento, devido à ausência de seus advogados. ChegadaSuzane chegou ao fórum por volta das 11h30. A jovem chegou numa Blazer da Polícia, sentada no banco de trás entre seu tutor, o advogado Denivaldo Barni, e uma mulher. Suzane tinha o rosto coberto com um pano bege. Os pais dos irmãos Cravinhos, Astrogildo e Nadja, chegaram por volta das 11h45 e não falaram à imprensa, apesar do assédio. Pela manhã, Astrogildo havia declarado que não acredita que os filhos escapem da condenação.Daniel e Cristian foram levados ao fórum pela manhã. Eles estavam no Centro de Detenção Provisória I de Pinheiros, desde quinta-feira, 1º, quando foram transferidos da Penitenciária de Itirapina.

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