Mantega cobra de Alckmin programa econômico

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, cobrou nesta terça do candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, que divulgue melhor o seu programa de governo. "Eu até agora não vi o programa dele. É preciso que ele explicite melhor", afirmou. Segundo o ministro, Alckmin apresentou até agora "idéias esparsas e propostas desencontradas". "Ele vai cortar o quê?", questionou o ministro. Ele comentou que o cronograma de governo de Lula potencializa o crescimento com taxas maiores, redução dos juros, continuidade da responsabilidade fiscal e manutenção do superávit primário.Questionado se ele estaria fazendo a mesma coisa que o ex-ministro Pedro Malan fez na campanha eleitoral de 2002, ao cobrar do então candidato Lula um posicionamento sobre suas propostas para a economia - e na época foi acusado de fazer terrorismo eleitoral -, Mantega respondeu: "Isso é uma piada", ressaltando que o que ele quer saber é qual é o programa econômico de Alckmin. Maior governabilidadeMantega afirmou que a governabilidade aumentou após as eleições legislativas, e isso permitirá que o governo faça mais reformas. "O presidente Lula fez reformas e fará mais. Nós temos mais governabilidade", disse o ministro, contrariando as análises de que a nova composição para 2007 no Congresso piorou a situação para um eventual segundo governo do presidente Lula. "Os analistas também se equivocam. Os principais partidos oposicionistas perderam deputados na Câmara. No Senado, a situação não se alterou, nos governos estaduais a situação também melhorou. Então, isso é um sinal de que haverá maior governabilidade no próximo governo", afirmou Mantega.Apesar das afirmações do ministro, as bancadas de PFL e PSDB na Câmara cresceram dos atuais 123 deputados para 130, enquanto a base do governo na Casa, sem considerar o PMDB, caiu dos atuais 257 deputados para 223.No Senado, a situação também piorou, pois o PFL passou a ser a maior bancada da Casa, com 18 senadores, e pode ter a chance de eleger o presidente do Congresso, já que a bancada do PMDB, que nem sempre vota com o governo, caiu de 20 para 15 senadores. Reforma tributáriaMantega declarou ainda que Alckmin, foi, quando governador de São Paulo, um dos responsáveis pelo fracasso da segunda fase da reforma tributária e que Lula fez a primeira fase dela. No segundo mandato, disse ele, o governo Lula vai fazer a segunda fase (que trata da reforma do ICMS) e a terceira fase (introdução do Imposto de Valor Agregado nacional para todos os tributos). "Durante os primeiros anos do governo, foi feita uma reforma tributária dos tributos federais. Vocês não perceberam?", ressaltou ele, acrescentando que essa reforma tratou da transformação da Cofins e do PIS em tributos de valor agregado. "Agora, nós temos que caminhar para essa segunda etapa", disse ele. Segundo o ministro, a tributária será a principal reforma na área econômica de um segundo mandato do governo Lula. Na área política, será a reforma política. "Com os novos governadores eleitos podemos encaminhar a segunda fase da reforma", assegurou ele. Mantega disse que a arrecadação não vai diminuir no segundo mandato, porque a economia continuará crescendo. "A idéia é não diminuir a arrecadação, porque a economia vai continuar crescendo."O ministro fez questão de afirmar que a carga tributária aumentou no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas não no governo Lula. "Não subiu durante os anos de governo Lula", disse. Ele disse que o governo Lula, ao contrário, reduziu várias alíquotas de alimentos, informática, bens de capital e da construção civil. "Os preços dos alimentos são o mais baixos da história do País", afirmou. "Pretendemos continuar reduzindo sobre bens de capital", prometeu. Mantega reconheceu, porém, que, para o empresário brasileiro, é muito difícil conseguir produzir no Brasil com a carga elevada. Ele também disse que o governo Lula, num segundo mandato, não fará a reforma previdenciária. Mas assegurou que o governo terá uma proposta de implementação de um redutor para os gastos correntes para despesas do Orçamento. "Podemos colocar em prática em 2007 ou 2008", afirmou. A matéria foi alterada às 20h37 com inclusão de informações

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