Andre Dusek/AE
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Mantega defende alta menor de gasto corrente

Ministro não disse se continuará no cargo, mas falou sobre planos para 2011 com a desenvoltura de quem está engajado na preparação do novo governo

Fernando Dantas, Claudia Trevisan ENVIADOS ESPECIAIS / SEUL, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2010 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem em Seul que os gastos correntes do governo e os juros vão cair em 2011. No caso do gasto, o ministro ressalvou que não estava falando em termos absolutos, mas sim de medidas como ritmo de crescimento e proporção em relação ao PIB. Ele chegou ontem à capital da Coreia para participar da cúpula do G-20.

Depois de ter viajado mais de 20 horas de avião até Seul com Dilma Rousseff, a presidente eleita, Mantega nada disse sobre uma possível permanência no cargo, mas falou sobre os planos econômicos para 2011 com a desenvoltura de quem está plenamente engajado na preparação do novo governo.

"Vai haver uma redução de gastos em 2011, já que saímos do pós-crise e entramos numa nova fase em que a economia não precisa dos mesmos estímulos e o setor privado pode cumprir essa função", disse. Segundo Mantega, "em crise" o Estado demanda mais: "Quando se sai da crise o setor privado demanda mais. É essa troca que se pretende fazer."

Isso inclui, ele acrescentou, diminuir a liberação de crédito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), reduzindo os subsídios gastos nessas linhas. Mantega disse ainda que o recuo do gasto corrente vai abrir espaço para ampliar o investimento, e reduzir a atração de capitais em excesso - um dos problemas mais discutidos na cúpula do G-20 em Seul.

Defendendo a sua gestão desde maio de 2006, Mantega afirmou que cumpriu regularmente o superávit primário, e que 2009 e 2010 - quando o resultado fiscal piorou - "foram dois anos atípicos de enfrentamento da crise, quando acabamos aumentando o gasto do governo".

O ministro lembrou que Dilma tem dito que quer trabalhar com juros menores no futuro, e que se comprometeu, até 2014, a fazer superávits primários de 3,3% do PIB, reduzir a relação dívida/PIB de 41% para menos de 30% e chegar ao superávit fiscal nominal (que inclui o pagamento de juros, ao contrário do primário).

"Rudimentar". Provocado sobre até que ponto esse plano fiscal de prazo mais longo não seria rudimentar - palavra empregada por Dilma há cinco anos para classificar proposta parecida do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo - Mantega disse desconhecer a alusão. Mas afirmou que o atual plano "é sofisticado e diferente de tudo que havia lá atrás, porque combina crescimento, programas sociais e austeridade fiscal".

A contenção de gastos, continuou o ministro, é um dos fatores que abrirá espaço para a queda dos juros. "Imediatamente não dá para baixar os juros, porque tem uma dinâmica própria da política monetária, mas certamente o juro brasileiro deverá ser reduzido já no próximo ano."

Para Mantega, não existe pressão de demanda na economia brasileira. "Não tem nada a ver com consumo, não é a demanda que está gerando isso - a inflação está aumentando nesse momento pela mesma razão pela qual aumentou no início do ano, e depois caiu, por causa das commodities e dos alimentos."

O ministro frisou que "o governo não descuida da inflação, e o próximo governo certamente não descuidará; a inflação sempre é questão de honra, e uma questão fundamental para manter a solidez da economia brasileira". Mas, como prevê que a inflação não vai subir, Mantega acha que "as condições estão dadas para redução da taxa de juros".

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