Mantega vê chance de 2º turno na eleição presidencial

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu a possibilidade de realização de um segundo turno no pleito presidencial, e reconheceu que a questão do escândalo do dossiê dos Vedoin retirou votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Nós podemos ganhar ou não (no primeiro turno). Mas, de qualquer forma, o resultado será positivo, porque teremos aproximadamente a soma dos votos de todos os nossos adversários, o que nos daria um bom cacife para irmos ao segundo turno", disse o ministro, antes de registrar seu voto na Escola Pueri Domus, no bairro do Itaim Bibi, na capital paulista.Apesar de admitir que o escândalo do dossiê teve impacto eleitoral sobre a campanha de reeleição do presidente Lula, o ministro da Fazenda disse acreditar que a questão da compra do dossiê não deve surtir tanto efeito num possível segundo turno. "Sempre há chance de ir para segundo turno e, caso isso aconteça, essa questão do dossiê vai ser mais esclarecida. Portanto, ela vai perder a sua importância, o calor da novidade, e vão ser predominantes os temas políticos e econômicos."Para Mantega, foi a imprensa a maior responsável pela importância ganha pelo escândalo do dossiê. "Isso foi supervalorizado pela imprensa nessas últimas duas semanas, de modo que isso tirou alguma margem do eleitorado", disse Mantega, para quem essa perda pode ser reposta num eventual segundo turno. "Isso passa, à medida que o eleitor tenha a clareza de que, em parte, isso foi uma manobra eleitoral e, ao mesmo tempo, uma burrice de alguns companheiros", acrescentou.Mantega ainda classificou o eventual impacto da divulgação das fotos do dinheiro, que seria usado para compra do dossiê, de "efeito pirotécnico". "Isso não dura muito tempo. É fogo de palha".Apesar de estar confiante na vitória de Lula, o ministro não quis confirmar se vai se manter à frente da Fazenda, num segundo mandato, mas disse crer que o acirramento do debate político não continuará no nível atual, o que deve permitir, na opinião dele, o encaminhamento das reformas para o crescimento da economia. "Uma vez terminado o pleito, a temperatura política vai diminuir e os interesses serão outros. Então, não haverá mais o interesse de fazer uma luta de desgaste contra esse ou aquele candidato; ou de desgastar o governo".

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