Mapa da violência indica que o desarmamento foi residual

Apesar do impacto positivo das políticas de desarmamento, taxas de violência homicida continuam elevadas

29 de janeiro de 2008 | 21h48

O mapa da violência nos municípios, divulgado nesta terça-feira, 29, pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (Ritla), indica que as taxas de violência homicida do Brasil ainda continuam muito elevadas. Segundo a Ritla, apesar do impacto positivo das políticas de desarmamento, das quedas no número de homicídios e da ação efetiva de redução da violência em vários estados do país, o número de homicídios na década 1996/2006 cresceu mais do que o crescimento da população no mesmo período.   Veja também: 10% das cidades têm 73,3% dos homicídios Conheça as 10 cidades mais violentas do Brasil  A íntegra da pesquisa sobre violência no País   Os dados mostram que o registro de homicídios passou de 38.888 para 46,660 representando um incremento de 20%, levemente superior ao crescimento da população, que foi de 16,3% também em relação a igual período.   O documento avalia, no entanto, que os dados mais recentes evidenciam os resultados da política de desarmamento da população ao apontar que entre 2003 e 2006 houve uma redução anual da ordem de 2,9% no número de homicídios. "Fato que pode ser atribuído às políticas de desarmamento", que a Rede define como a retirada de circulação de um número significativo de armas de fogo, e regulamentação legal para sua compra, porte ou utilização.   "Podemos verificar a evolução, pré e pós campanha do desarmamento, dos meios utilizados nos homicídios", afirma o autor do estudo, Julio Jaboco Waiselfisz. As armas de fogo sempre foram o instrumento fundamental para cometer homicídio em todos os anos. A pesquisa demonstra que as quedas na utilização das armas de fogo nos homicídios aconteceram em 2004 e 2005. Já em 2006, a participação se estabilizou em 74,4%. No período de 2000 a 2003, o uso de outros meios, principalmente objetos 'cortantes-penetrantes', aumentou em 2004 e 2005, e se estabilizou no ano seguinte.   "Isto parece indicar que em 2006 as políticas de desarmamento atuaram de forma residual - efeitos da maior rigidez nas penas legais e a retirada de um número de armas de circulação - sendo acompanhadas por outras políticas", conclui Waiselfisz.

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