Mapa GLS ganha points até na periferia

Para ativistas, novelas e Parada ajudaram a reduzir preconceito

William Glauber, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2008 | 00h00

As noites de sábado no 12.983 da Avenida Sapopemba, em São Mateus, zona leste de São Paulo, são embaladas por ícones gays como Madonna, Cher e Whitney Houston. Distante do eixo República-Consolação-Jardins, o Guinga?s Bar é exemplo da expansão das fronteiras GLS da cidade, com abertura de bares e danceterias no extremo sul e em cidades da Grande São Paulo. Entre os fatores para esse crescimento estão a Parada Gay e a presença de personagens homossexuais em novelas.Points surgiram no Carrão e no Tatuapé, na zona leste, no Ipiranga e em Interlagos, zona sul, e em Santo André, Osasco, Carapicuíba e Mogi das Cruzes. São alternativas aos "velhos" points do centro, embora os ambientes sejam parecidos, com hits pop para meninos e apresentações de MPB para meninas, além de karaokê."Essa visibilidade era impensável em locais como São Mateus, até poucos anos. Gays tendem a ir para o centro, porque lá são invisíveis", diz Beto de Jesus, secretário para a América Latina e Caribe da International Lesbian and Gay Association. "Mas, com uma Parada Gay que atrai milhões, cria-se clima favorável à aceitação."Na periferia, as relações cotidianas são mais estreitas. "Conheço bares do centro, mas freqüento aqui porque estou perto de casa e fico entre amigos", diz Michael Douglas dos Santos, de 18 anos, que costuma ir ao Guinga?s, evitando viagem de duas horas até o centro.Outro ponto é a praça de alimentação do Shopping Metrô Tatuapé, que lota nas noites de segunda. Na Penha, o Diva?s Bar reabrirá no mês que vem, após ter funcionado de 2004 a 2006, em Itaquera e depois no Aricanduva. "A zona leste é gigante, e têm muitos gays e lésbicas aqui", diz a analista de marketing Fabiana Rodrigues, de 25 anos, que mora em Itaquera e freqüenta o Babadu?s Bar, no Carrão. A dona, Regina Gomes, diz que abriu o Babadu?s a pedido de amigos. Distância não é problema para o supervisor de atendimento Everton Silva, de 26, que sai de Osasco para se divertir com o namorado. Em vez do centro, eles vão ao Boteco Ouzar, no Ipiranga. "Aqui o ambiente é voltado mais para casais", explica.Em Interlagos, Mari de Souza, de 43, toca a Reencontros, que tem DJ e shows de drag queens, há dois anos. "O público é eclético. A maioria é fiel, até porque somos a única casa gay aqui." Em Carapicuíba, gays e lésbicas dançam na Rainbow. Em Osasco, há o Point Mix; em Santo André, shows de drags são "sagrados" no Santo Pastel. Em Mogi das Cruzes, a Up Club agita a noite.Essa aceitação foi influenciada pela TV, diz o sociólogo e pós-doutorando em Ciências da Comunicação pela USP Ferdinando Martins. "A dona de casa, quando vê o Bruno Gagliasso sofrer por amor na novela das oito (América, da Globo, de 2005), vê que aquele sentimento faz parte da vida. Continua existindo preconceito, mas em menor grau."A mudança se reflete na auto-estima dos homossexuais. "Não tive problemas (com homofobia) e, se me chamarem de sapatão, não estou nem aí", diz a vendedora Hendy de Lucena Silva, de 21, que vive em São Mateus e, quando pode, leva até a mãe ao Guinga?s.

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